7.11.12

Eu sempre me afasto das pessoas perigosamente normais...

Eu não busco aprovação alheia, nem quero aplausos fáceis. O apoio dos normais não me interessa. Eu quero apenas provocar intelectualmente as pessoas criativas, como suponho você é. No fundo, eu quero questionar todas as "verdades", e esmagar todas as convicções. Inclusive as tuas, mas principalmente as minhas. Para que possamos trocar experiências fascinantes — e talvez criar alguma coisa verdadeiramente nova.


Se todo amor fosse eterno, aquele teu primeiro já teria sido...


Tenho dito que você deveria libertar-se das amarras, saltar profundo e viver a vida. Acontece que isso é uma proposta retórica. Não estou pregando que você deva realmente abandonar tudo e sair correndo agora mesmo. Simplesmente porque não há profundidade suficiente para todos saltarem, ao mesmo tempo. Aliás, se todos saltassem perderíamos as referências. Se todos saltassem — saltar passaria a ser uma coisa banal, comum. Se todos largassem tudo, a vida viraria uma bagunça... Seria o caos. E se tem uma coisa pior do que a ordem absoluta, é a desordem absoluta. Portanto, é preciso que quase todos permaneçam exatamente como estão, atolados nessa desgraçada rotina quotidiana — e cuidando das engrenagens do mundo — para que apenas uns poucos, pouquíssimos, saltem profundos. Afinal, saltar profundo não é pra todo mundo.


Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.


As grandes inteligências conseguem considerar duas ou mais visões contrastantes — ou contraditórias, e até mesmo antagônicas — de uma mesma questão, analisá-las ambas ou todas em conjunto, simultaneamente, e não preferir nenhuma delas até que alguma conclusão logicamente satisfatória e defensável se apresente.


Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.


A liberdade é perigosa. A vida livre é arriscada, insegura, incerta, é cheia de surpresas, cheia de perigos e de buscas, mudanças, sobressaltos. A liberdade é muito perigosa... Só quem ama o risco é que pode ser livre. Só quem é dono de si mesmo é que pode ser livre de verdade. Só quem é dono do próprio destino é que arrisca a vida para salvar a própria vida. A liberdade, portanto, não é para qualquer um: os acomodados e os covardes jamais serão livres. Escravos não conseguem ser livres. E a segurança da gaiola seduz.


Se vocês não arriscam nada — pretendem ganhar o quê?


Nunca escondo meus leitores de si mesmos: em verdade, eu ilumino a parte escura do caminho que se encontra dentro deles. Como sou um garimpeiro de verbos incendiados, só gosta de me ler quem já tem brilho e não se apaga... Mas se eu primeiro não tornar as emoções em alegria, não terei coragem de abrir meu coração inteiro para ser lido com ternura por você. Por isso, só me mostro mesmo após o meu encanto, e só te dou estas palavras depois que as refino. Aliás, se eu não polir as minhas pedras preciosas com amor e gostosura, como poderia eu querer trocá-las por essa tua tão amada luz diamante?


A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.


Minha proposta é a Liberdade Absoluta. Eu venho é para semear auroras no teu peito. Quebrar paradigmas, derrubar padrões. Não trago nenhuma resposta pronta: eu só faço perguntas. Em verdade, eu quero é mexer no coração da tua cabeça, por fora e por dentro — poeticamente. Fazer um delicioso cafuné nos teus neurônios enrolados e amorosos. Passar um doce pente fino nos caracóis da tradição... Eu quero questionar as tuas verdades mais queridas. Chacoalhar essas tuas convicções inabaláveis. Não quero te propor sossego — nem venho te trazer nenhuma paz cansada. Eu apenas te convido a ter coragem! Eu te convido a um salto profundo em direção à Vida. Escandalosamente profundo!


Tem dias que alguns querem colocar-me contra a parede...
Mas a parede nunca é contra mim.


Ninguém vai além de seus limites. Se for, não eram. Afinal, se alguém ultrapassar os seus limites, então não eram realmente limites. Eram falsos limites. Milhões de pessoas têm falsos limites. E o que é pior: acreditam neles. Não raro, limites estipulados por terceiros, que sequer teriam direito de interferir em vidas alheias. Mas os piores limites, os mais lamentáveis, são aqueles que nós mesmos nos impomos — quase sempre muito aquém do que seria o ideal, com base em nossos próprios estados negativos de potência. Portanto, não se deixe limitar, nunca! Nem por seus inimigos — nem por esse monstro horroroso e carniceiro que se chama Falta de Coragem.



Amar de verdade é jamais ter ciúmes do objeto amado. Nem medo de perdê-lo. Amar é não forçar nada, sequer um beijo. Amar é não fazer perguntas desnecessárias ou indiscretas — muito menos na hora errada. Amar é deixar fluir a relação em todos os sentidos. É incentivar o voo livre que o outro pode estar querendo, e às vezes até mesmo empurrá-lo com ternura para o abismo gostoso do desconhecido profundo. Amar é respeitar com devoção e aplaudir com entusiasmo esse desejo louco de saltar que o outro às vezes tem.


Assim que o escrevo, eu e o poema nos tornamos uma coisa só.


A condição sine qua non para subir ao Pico (e sentir-se muito bem aqui) é ter asas próprias, saber voar com eficiência — e amar a Liberdade sobre todas as coisas. Sem isso, é melhor contentar-se com o sopé da montanha. Ou então tomar providências rigorosas imediatas!

10.8.12

A ousadia move o Mundo

Beethoven, desde o inicio da carreira, vivia criando grandes obras da música clássica — mesmo que ainda nem fossem. Com isso ele desenvolvia suas próprias técnicas, geralmente geniais. Aliás, se ficasse apenas copiando as composições alheias, jamais teria sido um grande artista. No máximo, ao fim da vida, seria só um zé-ninguém. Ou um pianistazinho de boteco, no subúrbio de Viena.


Tem gente que esclarece o objeto. Eu prefiro iluminar o sujeito.


Acabo de formalizar a criação da EMc³ — Edson Marques Consultoria³. Porque não me basta ser apenas um poeta zen. Eu quero também criar paredes tão bonitas que pareçam indecentes. Eu adoro arquitetura, e sou discípulo do Calatrava. E também adoro o jogo das empresas. Sei fazê-las crescer. Foi por isso que criei a Xtratego Ferment. Mais alguns detalhes na minha página de ideias. Afinal, sou um Vendedor de Imaginação.


A ousadia inteligente move o mundo.


Resumindo — eu posso dizer que, na vida, são quatro as questões fundamentais:
O que sou.
O que posso saber.
O que devo fazer com aquilo que sei.
E quais as consequências do que sou, do que sei, e do que faço.
Se ainda não soubermos as respostas a essas quatro questões — nem as estamos procurando de modo racional — é provável que estejamos simplesmente desperdiçando nosso potencial infinito enquanto seres humanos. E suponho que isso também vale para nossos empreendimentos e demais atividades profissionais.


Só o que está morto não muda.


Meditar, estudar Filosofia, amar a Liberdade e ter muito tempo livre — são as quatro coisas fundamentais na vida de todo ser humano. Se não estudarmos um pouco de Filosofia, não seremos capazes de analisar corretamente as circunstâncias, nem de compreender a vida. Quem não ama a Liberdade jamais conhecerá o verdadeiro Amor. Se não tivermos tempo livre não criaremos nada significativo, nem teremos entusiasmo para mudar o mundo. E se não meditarmos com frequência, jamais explicaremos as razões de ser o que somos. Mas só meditar não basta. Não adianta ficar um século embaixo de uma árvore, na posição de Lótus. No máximo, você talvez crie raízes e vire um arbusto. É bom convidar Platão para um jantar romântico, ouvir o que Sêneca tem pra nos dizer, conversar um pouco com Aristóteles, tomar um vinho branco com Jesus, dançar com Vênus, visitar o velho Nietzsche, subir à torre de Montaigne — e assim por diante...


Eu dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.


Não devemos ficar muito impressionados com uma ideia, só porque ela é nossa. Toda hipótese não passa de um pequeno passo no caminho do verdadeiro conhecimento. Temos que perguntar, sempre, por que uma determinada ideia nos agrada tanto. Temos obrigação intelectual de compará-la, imparcialmente, com as alternativas. É bom verificarmos se é possível encontrar razões que a invalidem. Aliás, essa verificação é fundamental. Porque, se não fizermos isso, outros certamente o farão — e nós poderemos ser inclusive ridicularizados. Nossa reputação intelectual pode ir para o ralo. O que nos deve interessar, portanto, antes de tudo, é a verdade, e não o nosso apego inabalável a certas conclusões que adoramos.


A fé move montanhas. A Razão, cordilheiras.


Charles Darwin demorou vinte anos para publicar A Origem das Espécies, por causa da esposa, que era religiosa e não aceitava a teoria da evolução. Charles então somatizou angústias, ficou triste, ficou doente. Quando enfim deixou de respeitar os preconceitos da esposa e publicou sua obra — sarou completamente. Moral da história: se você tiver que fazer algo que considera justo, verdadeiro e necessário, não espere autorização de ninguém. Vá e faça!


MAS NÃO COMETA O ERRO PRIMÁRIO DE SUPOR QUE ACERTA SEMPRE.


Quero te fazer umas perguntas, cujas respostas podem me dizer quem você é: Especialmente em questões subjetivas — tais como amor e religião, psicologia, liberdade, casamento e política — quando você não concorda com determinadas concepções alheias, também considera que a razão pode estar com o outro? Em certos debates, em certas discussões, você costuma ter abertura intelectual suficiente para eventualmente considerar que o ponto de vista contrário ao teu pode estar até mais próximo da verdade? Na vida, você já não defendeu valores, ideias e proposições que depois envelheceram, desesperadamente? Você já não teve tantas e tantas certezas absolutas que mais tarde foram fulminadas pelo tempo, pela experiência — e, principalmente, pelo estudo? Sobre certos assuntos, você já não mudou de ideia muitas e muitas vezes? E será que agora você nunca mais vai mudar? Será que você, neste exato momento da tua vida, já chegou a todas as conclusões possíveis?


A realidade é a soma do que existe e do que sonhamos.


Varrendo com elegância, eu aprendi a ter disciplina. Varrendo os cisquinhos, os papéis, as tampinhas de garrafa, todo dia, eu aprendi a ser zen. Eu só tinha nove ou dez anos, mas já varria com método, coreografando uma espécie de dança com a vassoura, meditando, desenhando na poeira certas coisas que combinassem com as irregularidades daquele chão inesquecível do armazém do meu pai. Varrendo, eu planejava a minha vida. Varrendo ciscos geométricos por sobre os cacos coloridos da cerâmica vermelha eu construía uma louca arquitetura de mistérios insondáveis. E então chegavam clientes querendo talvez meio quilo de açúcar. Ou duzentos gramas de mortadela. Às vezes um pão sovado. Não importava: em qualquer das hipóteses, antes de atendê-los, eu me transformava no Balconista do Olimpo — e os atendia sempre sorrindo. Ou seja, varrendo e vendendo, eu aprendi a perceber padrões. A interpretar as circunstâncias. Varrendo e vendendo, eu aprendi a ser cigano, a ler as mãos — e ver a Sorte.

Estou criando uma empresa-conceito chamada TEMPO — com base na minha ideia 234. Isto vai envolver a contratação de alguns dos cérebros mais brilhantes do Brasil para que executem os principais projetos.

Tudo que existe no mundo — existe duas vezes: primeiro, na cabeça do Criador. Toda mudança tem que antes ser sonhada. A realidade só se transforma de verdade, na prática, depois que transformou-se em teoria. Primeiro no cérebro — depois, no mundo. Sem sonho e sem loucura inteligente, nada de concreto se produz. Nem sorvete, nem avião, computador, arranha-céu. Nem igreja, nem poesia, nem romance. Os inventores, os poetas, os artistas, os cantores, são todos visionários. Einstein, Jesus Cristo, Picasso, Buda, Galileu, John Lennon, Neruda, Niemeyer: um bando de malucos. Se dependesse apenas dos normais, ainda andaríamos de carroça. Talvez nem mesmo de carroça, pois a roda foi criada por um louco... Sem fantasia e liberdade não se encanta o cotidiano. A imaginação descontrolada é que dá cor e vida ao mundo. Por isso é que a Loucura criativa é tão necessária, tão desejada — e ao mesmo tempo tão temida.
De que lado você está?

A PRODUÇÃO DE RESULTADOS NÃO DEPENDE DA ESPERANÇA.


Eu não busco aprovação alheia, nem quero aplausos fáceis. O apoio dos normais não me interessa. Eu quero apenas provocar intelectualmente as pessoas criativas, como suponho você é. No fundo, eu quero questionar todas as "verdades", e esmagar todas as convicções. Inclusive as tuas, mas principalmente as minhas. Para que possamos trocar experiências fascinantes — e talvez criar alguma coisa verdadeiramente nova.

4.8.12

ideia 205

Quando me perguntam o que sou e o que faço digo apenas que sou um Criador. Tenho ideias, muitas, sobre vários temas, todo dia. Projetos, sonhos, invenções. Planos loucos, inclinados, geniais. Alguns são colocados em pedaços de papel, outros vivem no meu próprio coração. Muitos viram poemas, livros, amores, empresas, relações. Meu primeiro amor foi Marina, aos sete anos. Mas meu primeiro empreendimento foi na área de calçados, também aos sete anos. Depois, a AJAN — Aliança Juvenil dos Amantes da Natureza — foi considerada subversiva pelos militares, que a fecharam. O meu time de futebol durou só dois anos, pois concluí que era melhor ser o craque do time do que ser apenas o dono. O Restaurante, aos dezesseis, em cuja construção aprendi com meu pai a beleza do piso cerâmico em diagonal, continua funcionando até hoje. O terceiro projeto comercial, aos 22 anos, virou minha primeira empresa — que abandonei de modo romântico e poético como se pode ler dando um click na imagem acima. O quarto projeto, criado em 1994, chamado Liberdata, uma empresa de sistemas, ainda está no ar, criando sites, etc. Em 1996 fundei a OfficeAll, um escritório diferenciado de consultoria, que funciona na Avenida Francisco Matarazzo, SP. Entre 1999 e 2002 fui consultor intelectual em Cooperativas de Trabalho (na Reunidas fui Diretor de Estratégias e na CooperÚnica, Diretor-Presidente). A Máquina de Vendas, criada em 2002, vai de vento em popa. A UCB, uma construtora voltada para revestimentos cerâmicos Portobello, foi criada em 2006 com minha consultoria. Em 2010, comecei a montar o projeto de uma nova construtora — PCB — que só em Dezembro de 2013 vai ter seu início formal. Um pouco antes disso, eu e Joyce Ann abriremos a Portobellissimo. Atualmente, estou montando uma empresa-conceito, que ainda não tem registro na Junta Comercial, mas que chamo de Ideia 152. Em maio de 2013 criei (e já está funcionando a pleno vapor) a Calçadas do Brasil. Também criei e (juntamente com dois sócios) estou abrindo (Dezembro 2013) uma empresa de Apoio Operacional em SP. Até o final deste ano formalizarei mais uns três ou quatro projetos, sendo que o mais ousado deles (e o mais criativo, do meu ponto de vista) é a Ideia 205. A propósito: já estou na ideia 299. No meio disso tudo, casei-me cinco ou seis vezes, mas continuo solteiro, sem filhos — e completamente livre. Entrei na USP quatro vezes, publiquei sete ou oito livros e estou escrevendo outros tantos. Também escrevi o texto para o Comercial da Fiat, feito pela Leo Burnett. E edito o blog Mude, onde escrevo alguma coisa todo dia. Além disso, gosto de vinho, sei cozinhar, salto profundo e faço café...

Empregos formais eu só tive dois em toda minha vida. O primeiro, aos dezoito, como Auxiliar de Custos, na Protin, em SP. Um emprego ao qual concorri e ganhei mediante aposta que envolvia matemática, e que depois relutei em aceitar, pois já estava na Filosofia da USP. Seis meses depois, entretanto, fui promovido a Programador de Computadores, e depois Gerente de Processamento de Dados. Fiquei quatro anos... Saí para aprender cinema na Revela, pois tinha entrado na ECA-USP. Em seguida, e por acaso, fui ser Gerente de Informática na ITEL, empresa da família Mascheretti, cujos três irmãos (Gian, Renato e Marco) me influenciaram profundamente com seu estilo de vida e com sua inteligência brilhante — e a quem devo muito do que agora sou. Entre outras coisas, foram eles que me ajudaram a criar a Liberdata.

Afinal, eu já escrevi um poema chamado Mude, e já vendi serviços especiais para a Scania do Brasil e para a SKF. Já inventei um apito, criei algumas empresas e desenhei uma casa (que ainda nem fiz). Já escrevi sistemas em Assembler e Cobol, e já marquei gol de bicicleta. E já conquistei o coraçãozinho palpitante de uma menina delicada, inocente, duplamente maravilhosa, que se chama Joyce Ann. Como se pode concluir — eu não tenho limites... Sou capaz de qualquer coisa.

Mas eu às vezes me defino como um Analista de Circunstâncias. Um Vendedor de Ideias. Ou, melhor: um Vendedor de Imaginação...

Na Filosofia e na faculdade de Direito (três anos no Largo São Francisco) eu sempre me defini como indefinível. Porém, depois, ao estudar computação e me tornar um analista de sistemas, senti que essa expressão também me era imprópria, pois meu universo se expandiu, e comecei a supor que eu era um "analista de circunstâncias". Com o tempo, virei um Criador de Conceitos — e era exatamente isso que dizia o meu cartão de visitas. Acontece que eu sempre mudo. Aliás, como diz o meu poema: Só o que está morto não muda. Então, e por isso mesmo, eu hoje passo a definir-me como um Descobridor de Competências. Mais tarde eu volto aqui para explicar esse conceito.


















Certas pessoas (filósofos, cientistas, astrônomos, biólogos, físicos, químicos, teólogos, etc.) criam sistemas, compostos de teorias pretensamente bem elaboradas e bem estruturadas, visando descobrir ou explicar, dentro de cada um desses respectivos sistemas filosóficos ou científicos, as causas, o funcionamento e as eventuais conseqüências de alguns fenômenos da natureza. Da natureza, do espírito ou do corpo humano, tanto faz. Vale para uma galáxia, e vale para um átomo. Sempre foi assim e sempre será assim. Não há outra forma racional de propor explicações que não seja por meio de uma estrutura verbal composta de palavras e fórmulas. Foi o que fez Einstein ao criar a Teoria da Relatividade Geral, foi o que fez Platão ao escrever o Mito da Caverna para explicar como percebemos a realidade, foi o que fez Newton ao descobrir a Lei da Gravitação Universal. Cada um escreve como supõe que o fato ocorre, como acha que a coisa é. Isso vale para explicar a função dos elétrons na Mecânica Quântica, o comportamento de uma célula cardíaca, a fecundação de um jasmim, e até mesmo a criação do Mundo. E este é o ponto que quero aqui discutir. Quero não explicar, mas entender as respectivas teorias, respeitando-lhes as abrangências e os limites. Ou seja, eu quero entender como é que as teorias são construídas, e como é que se sustentam.

Vamos, por exemplo, à criação do Mundo. Só há duas formas de montarmos uma explicação: por meio de uma Cosmologia, ou por meio de uma Cosmogonia. Ambas pretendem explicar como as coisas se deram no início. Tanto os físicos quanto os pastores, por exemplo, a partir desse princípio e nesta perspectiva, são filósofos. Tanto os cientistas quanto os teólogos usam da Filosofia para criar suas teorias, ou para defender seus pontos de vista. Quanto mais criteriosa e rigorosa for a explicação, mais respeitável será a respectiva teoria.

Preciso ainda ampliar essa questão e definir a linha que vou dar a esse texto.
Edson. Madrugada Neon de 03.11.13. 03h48. PNMMENJA. São Paulo.

4.6.12

Para Ler Na Viagem


Quando uma pessoa que eu amo fica doente, procuro curar-me junto com ela.


São duas as coisas (indispensáveis) que precisamos para conseguir a própria Liberdade: chamam-se Desapego e Coragem. E não dá para se ter uma sem a outra. Acontece que o verdadeiro desapego vai além das coisas materiais. Só ficamos realmente livres quando nos desapegamos até das coisas espirituais. Principalmente das coisas espirituais! Não basta desapegar-se do vinho e do Camaro vermelho: é preciso desapegar-se de Zeus. De Zeus, de Apolo, e de Vênus. É preciso desapegar-se do pão e das flores. Das estrelas — e também dos amores...

Sem desapego, impossível ser livre. E sem liberdade, impossível ser feliz.

A felicidade é uma flor delicada que a gente pendura nos galhos do Agora. Desde que bem pendurada, jamais cairá. Vai durar para sempre. Nunca secará. A felicidade é um estado de espírito — e é um estado tão profundo, que, uma vez atingido, viverá conosco para sempre. A felicidade, depois que a conhecemos de verdade, nunca mais a perdemos. É como uma iluminação budista ou zen. Talvez sejam até a mesma coisa.

Mas não imaginem que eu esteja negando a gostosura que é ter um Camaro vermelho ou um cavalo negro com sela de prata. A gostosura que é comer um pão sovado ou ganhar um buquê de rosas champagne. A gostosura que é ter orgasmos. Desapego não significa privação nem desprezo. É amor puro pela coisa em si.


A maior deficiência mental é a incapacidade de ser feliz.


Começo a supor que existem estratégias inconscientes pessoais inexplicáveis. Montadas à nossa revelia, escapam da nossa compreensão primária. São racionais, logicamente, posto que originadas no cérebro, embora delas não tenhamos consciência. Preciso pensar um pouco mais sobre isso.


Eu vivo a primavera em qualquer das estações.


A loucura é uma qualidade da minha alma e a liberdade é um atributo do meu corpo. Porém, enquanto substantivas, a minha liberdade e a minha loucura são propriedades que só a mim pertencem. Não abro mão delas nem de seu controle absoluto. Quanto ao corpo e à alma, eu os quero assim, mesmo: loucos e livres. Domesticá-los, jamais!

Como poeta, salto alegremente nos braços da loucura. Mas, como filósofo, preciso conceituar a expressão:

Embora seja insuportável para quem já perdeu a lucidez, a Loucura é a única salvação. Por isso recomendo aos "normais ainda saudáveis" que procurem o caminho poético da Loucura inteligente. Claro que não me refiro à loucura inconsciente, transtorno bipolar, psicose, depressão, esquizofrenia, nem algo semelhante. Eu me refiro à loucura criativa de Osho, de Dali, de Paritosh. Eu me refiro à loucura brilhante de Nietzsche, de Jesus e de Artaud; à loucura sagrada de Van Gogh, Henry Miller e Picasso. Eu me refiro à loucura que está ali — aqui — a quase 360 graus da sanidade. Eu me refiro à fuga da escuridão chamada Norma. À quebra radical das as correntes opressoras. Ao abandono puro e simples do rebanho. Eu me refiro à loucura luminosa dos criadores de mundos. À loucura dos amantes da liberdade absoluta. Esta, a loucura que (me) (te) (nos) encanta...


Não me convide para ser triste.


Se por acaso ou por desastre eu vivo um dia de rotina, espremo à noite o meu coração como quem torce roupa, e não sai nada — nem uma palavra, nem uma gota, nem um pingo, nenhuma emoção. Tudo fica meio cinzento e meio apagado, e meu corpo cansado só consegue dormir. Mas quando vivo um dia de aventuras, vivo também uma noite de prazer escandaloso. As palavras caem delicadas no meu colo, excitantes, graciosas, uma tempestade de desejos e de mel se forma no meu peito, um livro todo escreveria se quisesse. Deus me abraça com tesão e alegria, o vinho branco cai direto lá no céu na minha boca, o universo inteiro entra em foco, meus amores todos se tornam girassóis — e a Vida me convida pra dançar...
E tudo que eu toco vira música.


Ser livre excita. Aproxime-se de um ser livre..


Não devemos ficar muito impressionados com uma hipótese, só porque ela é nossa. Toda hipótese não passa de um pequeno passo no caminho do verdadeiro conhecimento. Temos que perguntar, sempre, por que uma determinada ideia nos agrada tanto. Temos obrigação intelectual de compará-la, imparcialmente, com as alternativas. É bom verificarmos se é possível encontrar razões que a invalidem. Aliás, essa verificação é fundamental. Porque, se não fizermos isso, outros certamente o farão — e nós poderemos ser até mesmo ridicularizados. O que nos deve interessar, portanto, antes de tudo, é a verdade, e não o nosso apego inabalável a certas conclusões que adoramos.


Já estamos quase no fim do ano que vem....


No meu livro Teoria do Acaso eu arrisco bastante na formulação das hipóteses. Vou até Cristóvão Colombo, estudar as razões que o tornaram um aventureiro inteligente. Mostro como as circunstâncias o levaram à descoberta da América. Analiso até os interesses de Fernando e Isabel, reis de Espanha, nessa empreitada. Conto até sobre os anos pobres em que Cristóvão Colombo vendeu livros de porta em porta para sobreviver. Porque, você sabe, se Cristóvão não fosse o louco que era, nem eu nem você existiríamos. É lógico que não existiríamos!


A chave que te dou para abrir os teus mistérios nunca deve ser usada. Conserva-os para ti.


É melhor que o nosso amor seja brilhante, escandaloso e carregado de energia, forte como um relâmpago — ainda que seja breve, ainda que dure pouco — do que ser apenas o reflexo assustado de uma vela acesa pela metade, fraquinha, quase apagando, tremeluzindo em desespero por toda a eternidade...


Viva a brevidade do teu amor de forma plena. Não queira esticá-lo mais do que ele pode suportar.


Quando eu falo em Jesus estou me referindo a um Mestre. A um gênio. A um filósofo que soube muito bem compreender a alma humana. Não é, provavelmente, o mesmo Jesus a que você se refere, e em quem você diz que crê. É outro. O meu Jesus é um sábio, o teu parece apenas um ser mitológico. Mas o bom de Jesus é isto: ele já previu que nós dois existiríamos. Um de nós Lhe dá as mãos em cumprimento respeitoso por suas ideias geniais, e o outro só Lhe pede salvação, e um potinho de miçangas. Mas o melhor de tudo nessa história é que, confiando em Jesus — cada um a seu modo — nós dois seremos salvos...
Cada um a seu modo.


Hoje eu vou tomar tequila com Biotônico Fontoura....


Sou o autor da minha peça e o próprio personagem. A dança e o bailarino, a música, o maestro, compositor. A ternura mais vermelha e delicada, o lóbulo da orelha e o copo de vinho do meu amor. O beijo e o abraço, a delícia e o licor. O êxtase, e todas as auroras que ainda vão chegar. Sou o céu do precipício, a língua do horizonte — e mais além. Sou o sagrado e o profano, o profundo e o supérfluo, a origem da tragédia, e o brilho da cor. Sou mínimo e tanto, pouco e princípio, paixão, excesso e glória. Sou relâmpago, transitório, passageiro, imprevisível, pétala de estrela solitária, um pingo de ocidente no teu mel. Sou todo infinito no entusiasmo, e a última labareda amorosa de uma espécie de fogo em extinção...


A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.


Minha proposta é a Liberdade Absoluta. Eu venho é para semear auroras no teu peito. Quebrar paradigmas, derrubar padrões. Não trago nenhuma resposta pronta: eu só faço perguntas. Em verdade, eu quero mesmo é mexer no coração da tua cabeça — por fora e por dentro — poeticamente. Fazer um delicioso cafuné nos teus neurônios enrolados e amorosos. Passar um doce pente fino nos caracóis da tradição... Eu quero questionar as tuas verdades mais queridas. Chacoalhar essas tuas convicções inabaláveis. Não vim te propor sossego — nem venho te trazer a paz cansada. Eu apenas te convido a ter coragem. Eu te convido a um salto profundo. Escandalosamente profundo.


Os pés de um grande amor mudam muito mais rapidamente do que o próprio grande amor, em si.


O sono é uma necessidade espiritual. Eu tive essa ideia semana passada e agora fico pensando sobre ela. O bom de ser filósofo sem compromisso e poeta louco é isto: eu posso escrever uma frase genial ou dizer uma besteirinha qualquer — tudo com a maior naturalidade. Mas essa questão do sono ser algo de fundo espiritual está me fascinando, realmente. É uma ideia minha — original. Portanto, se for uma besteira, eu assumo-a, integralmente. Claro que, se quisermos levar a sério tal discussão, precisamos antes definir o que é "espiritual". Precisamos conceituar o Espírito.

Enquanto a espiritualidade não for matematizável, ela não poderá ser cientificamente definida. Temos que retirar a espiritualidade do âmbito exclusivo da religião. Quem deve se ocupar disso, num primeiro momento, é a Filosofia. Enquanto a Teologia mantiver o falso direito de exclusividade sobre o Espírito, não chegaremos a resultados logicamente aceitáveis. Porque a Teologia se utiliza de dogmas para elaborar seus conceitos — e dogmas são totalmente inaceitáveis pela Ciência. A Ciência constrói seus postulados com base em evidências quantificáveis, mensuráveis, verificáveis. Mesmo quando a Ciência trabalha com hipóteses, estas devem ser pelo menos plausíveis. A Teologia aceita como verdade até mesmo aquilo que pertence ao campo da Feitiçaria. Já a Ciência requer comprovação empírica. E a Filosofia é que deve fazer a ponte para que o Espírito se desloque para o campo da Física. Sem isso, essa energia que eu suponho ser o Espírito vai continuar sob o domínio dos comerciantes de religião, dos pajés e dos pastores — geralmente não muito comprometidos com a verdade. O que será péssimo para o futuro da Humanidade.

Mas depois eu volto para expandir um pouco mais essa ideia inicial.


Quem sonha comigo vive em meu sonho.


Eu não escrevo para qualquer um, eu escrevo pra você. Eu escrevo para gente que pensa e brilha como você. Gente que reflete. Por isso é que meus textos são breves, puros, refinados, provocantes. Desenhados com doçura, demoro a escrevê-los. Tem dias que eu demoro duas horas para escrever uma frase. Mas tem dias que eu preciso me cegar para te abrir os olhos. Porque você passa o tempo todo em busca de uma coisa inexistente. Você quer segurança, estabilidade e certezas absolutas... Parece que você não sabe que isso é impossível. E parece que você vai continuar procurando quimeras: o homem da tua vida, a mulher da tua vida, o emprego ideal definitivo, o projeto infalível, um amor eterno, o filho perfeito, um milagre exclusivo. Essas coisas não existem. Mas você, ingenuamente, continua desperdiçando energias vitais nessa busca inglória. As coisas vivem dançando. O mundo é um bailarino.


Se os amores fossem eternos, eu não teria nenhum. Ou só um — aquele primeiro — que já morreu...


Casar-se burramente, por impulso, por paixão — é até aceitável. Acontece. Mas, separar-se, tem que ser de modo inteligente. Tem que ser algo bem planejado. A decisão tem que ser racional. Separar-se por impulso, por paixão, é uma burrice duplamente acumulada. Portanto, pense muito bem antes de separar-se. Se você não ama suficientemente a liberdade, nem suporta a solidão, fique onde está. E se não for independente — cale-se, simplesmente. Aceite a coleira, a focinheira e as algemas. É preciso tomar providências antes de abrir as asinhas. Ser livre não é para qualquer um. Ser livre é coisa séria.


Entre gostosura e perfeição, escolho sempre a gostosura.


Eu sei que o que proponho é algo ideal. Eu sei que nem tudo são flores e estrelas na vida das pessoas. Nem todos conseguem livrar-se dos apegos, dos medos e dos preconceitos. Nem todos conseguem livrar-se da pressa e da opressão. Nem todos conseguem mudar valores errados que herdaram. Inteligência emocional é coisa rara. Nem todos podem sonhar, brilhar e dançar. A liberdade não se compra por quilo. Nem todos têm a chance de preparar-se, de refinar-se como se deve. O sistema acaba atropelando quase todos. O tempo é escasso. Eu compreendo. Saltar profundo não é pra todo mundo.

Entretanto, o fato de ser ideal o que proponho — isso não torna condenável a minha filosofia de vida. Ao contrário, minha filosofia é uma porta poeticamente escancarada para o Céu — desde que se entenda essa palavra como a metáfora mais perfeita da própria Felicidade. Portanto, continuarei defendendo-a, de todas as formas amáveis possíveis. Para sempre.


Pássaros livres não cantam quando chove.


O desapego é a mais pura forma de amor. Essa minha frase é apenas um resumo do que me disseram dois grandes mestres: Sidarta, o criador do Budismo, e Jesus, aquele que fez o Sermão da Montanha. Eles sussurram todo dia essas coisas para mim. Ambos pregavam exatamente isso: o desapego. Sei que é difícil desapegar-se. Demora muito. Mas, mesmo assim, é preciso ir além. É preciso que nos tornemos não só desapegados, como também desnecessários. Ou seja, é preciso permitir que o outro também de nós se desapegue. Libertar-se — e permitir que o outro também se liberte. Todas as grandes religiões e filosofias orientais pregam exatamente isso. Mas, nós, aqui no Ocidente, apressados e materialistas, ainda estamos longe disso. Ainda somos muito pesados. É uma pena...


Aceitar o inevitável é uma decisão inevitável.


UMA ILHA DESERTA E GREGA
Ainda vou reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e ainda encontrarei, convidá-los a subir num barco, um barco enorme — um navio, um transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando em todas as línguas, amando de todas as formas, bebendo de todos os vinhos, rezando a todos os deuses... A vida seria uma festa maior ainda. Viveríamos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando. E transando com a própria Vida, todo dia — o dia todo.


Só não quero que Deus morra antes de mim.


Eu só falo de Amor e Liberdade. Até o fim dos meus dias eu vou falar de Amor e Liberdade. Por isso meu verbo não se admira: só causa espanto. Acontece que escrevo para loucos brilhantes e livres de espírito. Porque aqueles cujos espíritos são meio escravos ou cujas loucuras não brilham tanto — talvez não gostem do que eu digo. E nem devem mesmo gostar. Minha literatura é feita de excessos. Tem cadência, alegria e pulsação... Como já disse, eu falo de Amor e Liberdade — e sei como se ama. Aprendi o que é o Amor. Mas não pretendo ensinar nada disso a ninguém. (...) Não busco aprovação alheia, nem quero aplausos. Só quero provocar intelectualmente as pessoas criativas, como suponho você é. No fundo, eu quero apenas questionar todas as verdades, esmagar todas as convicções — inclusive as tuas, mas especialmente as minhas.





MINHA ALEGRIA É INVULNERÁVEL

Quando alguém expressa um pensamento com o qual eu não concordo — sobre mim ou sobre a vida, sobre amor ou religião, sobre a Dilma ou futebol — não me sinto nem um pouco ofendido. Afinal, são milhares de pessoas pensando e emitindo opiniões a respeito dos mais variados assuntos. (...) Portanto, seria insensato estressar-me a partir dessas alheias conclusões. Respeito quase todas as opiniões, mas deixo-as onde estão, pois seria um absurdo condicionar o meu humor e a minha felicidade a esses múltiplos estímulos. Minha alegria é invulnerável. Sofismas não me atingem. Cada um de nós é um ser único. O que é bom para o outro pode ser péssimo para mim — e vice-versa. Cada um de nós pensa com seu próprio sistema nervoso. Suponho. E sugiro que você encare as críticas também da mesma forma.


Meu corpo tem vários espíritos — e todos dançam entre si.


Quando — a duras penas — o burro aprende a raciocinar um pouco, ele não fica de modo algum inteligente. Ele apenas se torna capaz de cometer burrices um pouco mais elaboradas — e em maiores proporções. A essência da coisa não muda muito. Infelizmente.


O mundo viraria um caos se a versão mudasse o fato.


Desmandamentos
1. Ame a Vida sobre todas as coisas.
2. Não obedeça a ordens — exceto àquelas que venham do teu próprio coração.
3. A felicidade está dentro de você. Não a procure em nenhum outro lugar.
4. O amor livre é a mais religiosa das orações.
5. O desapego é a única porta para o Céu.
6. A vida só existe aqui e agora.
7. Não corra: dance.
8. Viva acordado — em todos os sentidos.
9. Pare de buscar: o que é teu já te pertence.
10. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.


Bem-aventurados os felizes, porque deles é o Reino de Deus.


Neste nosso Universo, tudo se resume a uma troca de energias. Desde uma paixão adolescente até à bomba atômica, tudo é troca de energia. Desde o ferver da água para um café da manhã, ao ato de acionar a tecla de um notebook; desde a lembrança amorosa que agora tenho da minha Mãe até uma viagem a Júpiter, passando pela conversa deliciosa entre dois bem-te-vis e o florescer de um lírio branco — tudo é troca de energia. Logo, com o apoio do filósofo que ora em mim, e concluindo numa expressão metafórica e poética — Deus é energia. Do meu atual ponto de vista, Deus é (também) a soma de todas essas energias dançantes que constituem o Universo. Embora algumas delas sejam vitais e outras, mortais — é a vida!


Quem não tem ou nunca teve amores livres — ainda não sabe o que é o Amor.


Teoria do Acaso é um livro que estou escrevendo desde 1998, onde expresso meus pontos de vista sobre as causas imediatas e remotas de todos os acontecimentos num dado universo de observação. Que pode ser uma relação de amor, um emprego no subúrbio, uma viagem curta inesperada, a criação de uma galáxia, um cisco no olho, ou uma história de vida. Na minha concepção — fundada em duas décadas de estudos filosóficos — tudo acontece por acaso. Tomo como exemplo a forma como eu nasci, o modo como meu pai conheceu a minha mãe, o jeito romântico como meu louco bisavô Luiz Marques "sequestrou" minha bisavó Vitalina — e assim por diante. Sem o que veio antes não viria o que veio depois. Sem o cisco no olho do meu bisavô ele não teria ido à cidade naquela tarde de domingo, e jamais teria conhecido a moreninha vestida de chita, sentadinha num banco de pedra da estação rodoviária. Por mais que me digam que dez anos depois ele a teria encontrado de novo em outro lugar, não creio que a loucura dele fosse ainda a mesma. Nem a coragem. Nem o entusiasmo. E eu certamente não estaria aqui, hoje, te contando essas coisas. Simplesmente porque, se não fosse a loucura gloriosa do meu bisavô, eu não teria sequer existido. Esse é o tema principal do meu livro.

27.3.12

Quando uma pessoa normal fala em morte, ela está se referindo à morte biológica. Quando um mestre zen fala em morte, ele está se referindo à morte metafórica. Jesus não era uma pessoa normal. Jesus pregava a morte metafórica. Quando ele dizia que a felicidade só existe depois da morte, ele propunha que abandonássemos esta vida. Que a trocássemos por outra, melhor. Mas os idiotas pensam que Jesus era um imbecil, e que estava pregando a morte biológica. Nada disso! O que Jesus pregava — em verdade, em verdade — era a morte do apego, da inveja, do ciúme, do ódio e da cobiça. Olhai os lírios do campo e os pássaros do céu — ele dizia. Mas os idiotas jamais olham para o céu. E acham que as asas foram feitas para guardar dinheiro e proteger as posses... Os idiotas jamais entrarão no Reino de Deus.


O caminho do Céu é sinuoso. Quem pensa que é uma reta — se perdeu.


Eu não escrevo para o futuro: eu escrevo do futuro. Porque hoje já é futuro — mas muitas pessoas ainda estão no passado. Por isso não me compreendem. Minha linguagem, embora refinada, é bastante simples. Eu uso metáforas e parábolas para facilitar o entendimento daquilo que eu digo. O fato de muitas pessoas não me compreenderem (inclusive da minha família) não quer dizer que eu esteja errado — nem elas. Apenas não estamos no mesmo tempo. A compreensão de um texto pode demorar muito. Veja, por exemplo, o caso de Jesus: há dois mil anos ele disse coisas maravilhosas que ainda não são compreendidas. Então, por que eu — que em certos aspectos sou bem menos capaz do que Jesus — teria que ser sempre compreendido naquilo que escrevo?


Exatamente por ser única, a realidade tem que ser múltipla.


Nas relações de amor, a traição nada mais é do que um exercício da liberdade. Mas o que é traição? Qual é o meu, o teu, o dele, o nosso conceito de traição? Essa coisa só acontece em relações fechadas, ciumentas, possessivas. Ou seja, a traição só pode ser chamada de traição se for feita às escondidas. E só se faz às escondidas uma coisa que a sociedade considera errada, feia, suja e reprovável. Tem tudo a ver com sexo. Porque nascemos numa sociedade que valoriza demais o sexo, e penaliza ferozmente o sexo livre. A sociedade aplaude a monogamia, mesmo sabendo que esta é a principal causa da impotência e do tédio entre os casais. Portanto, para ser feliz, ou você faz tudo às claras, livremente — ou não faz.


Eu adoro o pico. Aqui tem pouquíssima concorrência.


Jesus é meu Mestre absoluto. E eu jamais teria coragem de pedir dinheiro a meu Mestre. Aliás, até hoje, na história da humanidade, nenhum discípulo que se preze pediu dinheiro a seu mestre. Portanto, não vou incomodar Jesus com essas coisas tão banais. Que Ele fique quietinho lá no seu canto, que eu cuido aqui dos meus negócios. Além do mais, não terceirizo as minhas glórias. Nem os meus fracassos.


Eu não vejo o cotidiano: eu vejo a eternidade.




Não adianta jurar por Deus e fazer figa. Deus vê a figa, antes de ouvir o juramento.


É melhor que o nosso amor seja brilhante, escandaloso e carregado de energia, forte, louco e livre como um relâmpago — ainda que seja breve, ainda que dure pouco — do que ser apenas o reflexo assustado de uma vela acesa pela metade, fraquinha, quase apagando, tremeluzindo em desespero por toda a eternidade...


Nas relações de amor, a eternidade é um exagero.


A Teoria do Livre Arbítrio é uma criativa e belíssima invenção. Ajuda muito nas horas em que o raciocínio não cabe. Uma teoria panaceia, que alguém, contraditoriamente, inventou para justificar as incoerências da Teoria do Destino — esta também uma teoria logicamente insustentável. O bom da Teoria do Livre Arbítrio, da forma como está na Bíblia, é que ela permite a todos que nela creem certas arbitrariedades lógicas. Ela nunca deixa o seu defensor na mão. Permite a todos os seus adeptos que elaborem à vontade os seus próprios conceitos a respeito do que ela mesma significa, numa cadeia interminável de explicações que, rigorosamente, nada explicam. Entretanto, apesar desse absurdo formal estrutural, é uma teoria que tem se sustentando por séculos, e faz muito sucesso entre o público leigo. Merece um estudo mais aprofundado.


Deus só protege aqueles que se salvam.


Do meu Pai eu herdei a razão, e da minha Mãe, as emoções. Meus irmãos só herdaram as casas, os terrenos, as propriedades. Ou seja: eu herdei a loucura — e eles, a insanidade. É justo. É a vida.


Um poeta não se deixa amarrar com cordas. Tem que ser com lenços de seda — e laços de amor.


Porque somos livres, transitória gostosura, eu a ti me entrego todo, como um ponto de luz nos teus olhos de mar e um toque sutil na tua pele de amor. Eu te quero como um risco delicado, um perigo iminente, mas sem excesso de presença. Desse modo, nem meu mundo termina neste aqui, nem você será prisioneira de mim. Não importa se isso dure, nem é preciso que se acabe; não sei se será sempre tão bom (assim), e nem busco certezas absolutas. Mas, como as delícias do agora me bastam — e encantam — até posso dizer que já estou começando a te amar.


A gostosura transitória é muito mais gostosa.


— Você é honesto? — a repórter me pergunta.
— Intelectualmente? Poeticamente? Emocionalmente? Financeiramente? Sexualmente? Administrativamente? Com os amigos, amores, empresas, clientes, sócios? Com Deus, com a Receita Federal, com o Estado, com as leis de trânsito, com as regras da moral, com a religião? Com a família, os empregados, com o mendigo que te pede um real e você diz que não tem? Com a menina feia que você elogiou só por delicadeza? Honesto em que sentido? — eu devolvo a pergunta.

Porque não gosto de responder a perguntas mal formuladas.


Hoje é o dia mais feliz da minha vida.





Ontem não existe mais, e amanhã não existe ainda. Só pode ser hoje!


Por sugestão do meu professor de Lógica, Oswaldo Porchat, comecei a estudar Alan Turing fora da USP. Em seguida, fascinado que fiquei, entrei de cabeça na computação. Sem abandonar a poesia, aprendi várias linguagens, inclusive Cobol, Assembler, Pascal e Fortran. Tudo isso em apenas um ano de dedicação integral. Fui ser programador, e três meses depois era Analista de Sistemas e em seguida, aos 22 anos, promovido a Gerente de Informática numa empresa chamada Protin. Meu salário, impulsionado pela Lógica, decuplicou. E eu continuava na Filosofia — amando a Lógica cada vez mais. Por isso hoje esse meu respeito absoluto pela lógica e pela poesia. Eu respiro lógica e poesia o dia inteiro.


Quando o egoísmo já não nos basta, a gente vira zen.


Eu visito a minha Mãe todos os dias — de manhãzinha. Passo lá no jardim do Paulo meu irmão, peço licença a Deus para colher o espírito da rosa mais bonita, e em seguida vou ao quarto dela, em silêncio. Então, sem acordá-la, cubro-a delicadamente com o espírito da flor e com o Amor que trago em mim.

Todos os dias.


Eu não creio em nada sobrenatural. Se existe — é natural.


Eu prego a desobediência, sim — mas a desobediência amorosa e criativa. A desobediência racional, inteligente, disciplinada. Porque desobediência sem disciplina e sem amor, sem método e sem lógica, é apenas burrice malcomportada.


Toda emoção é produto de um raciocínio.


Hoje eu fiquei brincando com a ideia de Deus e escrevi algumas frases e construí algumas hipóteses. Acabei supondo que Deus não criou o mundo: Deus é o Mundo. Deus é o Universo. Esse conceito de deus me parece bastante sustentável, pois elimina a questão de quem teria criado Deus, na hipótese deste ter criado o Universo, intencionalmente. Minha concepção de Deus é filosófica, não religiosa. Para mim, a sentença Deus existe pode até ser verdadeira, a depender do que chamarmos "deus". Porém, a sentença "Deus criou o Universo" carece de fundamentação. Ainda vou pensar mais a respeito do tema, ainda vou brincar um pouco mais com a ideia de Deus — respeitosamente — e volto depois para contar onde cheguei.

Enquanto a espiritualidade não for matematizável, ela não poderá ser cientificamente defendida. Temos que retirar a espiritualidade do âmbito da religião. Quem deve se ocupar disso, num primeiro momento, é a Filosofia. Enquanto a Teologia mantiver o falso direito de exclusividade sobre o Espírito, não chegaremos a nenhum resultado logicamente aceitável. Porque a Teologia se utiliza de dogmas para elaborar seus conceitos — e dogmas são totalmente inaceitáveis pela Ciência. A Ciência constrói seus postulados com base em evidências quantificáveis, verificáveis. Mesmo quando a Ciência trabalha com hipóteses, estas devem ser plausíveis. A Teologia aceita como verdade até mesmo aquilo que pertence ao campo da Feitiçaria. Já a Ciência requer comprovação empírica. E a Filosofia é que deve fazer a ponte para que o Espírito se desloque para o campo da Física. Sem isso, essa energia que eu suponho ser o Espírito vai continuar sob o domínio dos pajés e dos pastores — geralmente incultos. O que será péssimo para o futuro da Humanidade.

Aliás, a hipótese do Espírito é magnífica. A ideia de Deus como energia é grandiosa. Deus pode ter massa e pode ser explicado por uma equação escrita por Einstein. Deus pode ser matéria. Deus pode ter mil elétrons na última camada. Deus pode ser apenas mais um elemento químico na Tabela Periódica! Como se vê, esse é um assunto sério demais para continuar fora do âmbito da Ciência.


O bom de ser ateu é que posso brincar com Deus sem que ele se ofenda.


Eu me equilibro nesse ofício de ser solto, dançar sempre numa corda bamba, saltar todas essas linhas sinuosas imprecisas e fazer minha alma desfilar pelos fascinantes versos desta vida. Eu sempre me equilibro neste desgovernado instante em que o mundo se desfaz em regras e o eterno se desfaz em risco. Neste inexato momento em que só sei que não sei nada.


Desbravar caminhos não é o mesmo que torná-los mansos.


Toda mudança requer um plano. Às vezes, plano esboçado em folha de papel, outras vezes, plano intuído no cérebro da gente. Mas a mudança mais gostosa é aquela que só requer um plano inclinado, por onde vamos deslizando em óleo de amêndoas, como se fosse no corpo de um grande amor. Deslizamos até a borda — e então saltamos no vazio do belo escuro azul brilhante profundo da vida. Mas tem hora que a gente verbaliza mudanças sem atitude que lhes corresponda. Também faço isso, muitas vezes. Será vontade real de mudar alguma coisa sem permissão das circunstâncias, uma vontade objetiva que pretende puxar o processo da suposta mudança — ou será isso apenas um subterfúgio mental para satisfazer nosso ego? Não sei. Só sei que com uma das mãos eu defendo a liberdade, e com a outra acrescento algumas horas ao meu dia.


Deus pediu-me pra morar dentro de mim. Deixei.


Eu falo certas coisas tão óbvias, que às vezes rio de mim mesmo. Não pelo que eu digo, mas pelo poder que essas minhas obviedades têm de chocar certas pessoas. Ninguém deveria se espantar com o que eu digo. Apenas reproduzo o que é natural. Tiro as cascas horrorosas das relações e mostro-as abertas. Exatamente o que todos deveriam fazer. Por exemplo, ontem, numa entrevista, eu disse que o homem casado, via de regra, não consegue satisfazer a sua esposa porque seu repertório de novidades é geralmente minúsculo. Falta-lhe criatividade. Acontece que nem mesmo um Einstein seria capaz de criar tantas novidades, todo dia, para suportar um casamento em alto nível. O homem casado jamais será um amante brilhante da sua própria esposa. O coitado vê num filme que pétalas de rosas vermelhas jogadas num lençol de cetim é uma coisa excitante. Abrir um champagne ao lado de um pratinho de morangos, colocar música romântica, essas coisas. Acontece que a criatividade do infeliz não vai além disso. O fato de ter casado já é uma pequena prova da sua baixa criatividade... Experimente repetir essa cena maravilhosa trinta dias consecutivos — com a mesma mulher. Claro que depois de quatro ou cinco dias ela vai ficar desesperada. Com o saco cheio de tanto morango, enjoada de champagne para o resto da vida e com o coraçãozinho entupido de pétalas vermelhas... Você vai ser ridicularizado, e virar um fracasso. Agora, repita essa mesma operação com trinta mulheres diferentes, uma por dia. Você fará trinta sucessos!


Ser feliz faz parte do meu show.


São duas as moedas que compram a Liberdade: chamam-se Desapego e Coragem. E não dá para se ter uma sem a outra. Acontece que o verdadeiro desapego vai além das coisas materiais. Só ficamos realmente livres quando nos desapegamos até das coisas espirituais. Principalmente das coisas espirituais! Não basta desapegar-se do vinho e do Camaro vermelho: é preciso desapegar-se de Zeus. De Zeus, de Apolo, e de Vênus. É preciso desapegar-se do pão e das flores. Das estrelas — e também dos amores...


Não basta ter liberdade de pensamento. É preciso ter liberdade de exercer o que pensamos.


Eu não entendo muito essas pessoas que ainda dormem na mesma cama depois de dez anos de casados. Quinze anos de casados. Essa promiscuidade é um perigo. Vai que um dia, por descuido, rola um sexo... rs! Que coisa mais estranha! Já imaginou sexo com a própria esposa, ou com o próprio marido — depois de dez ou quinze anos de convivência cotidiana?! Seria uma coisa tão sem graça, que eu nem consigo imaginar.


Para que dois se tornem um, cada qual tem que usar apenas metade de si mesmo.


Eu modifico perfumes e flores em palavras e velas — e planto meu verbo num jardim que fala. Hoje há um canteiro de ternuras e rosas vermelhas no meu corpo falante. Então, as palavras as digo, e as rosas, acendo — ou as uso para singrar oceanos com a força do vento. Por isso é que transformo em ousadia o que me diz a Natureza — e parto em busca de mais aventura e mais liberdade. Todo dia.


EU VIVO ESTA VIDA COMO SE TIVESSE CERTEZA DE QUE ELA É ÚNICA.


É só disso que trato nos meus livros: ideias novas, sagração da liberdade, e gramática do Amor. Se você não gosta dessas coisas, nunca será meu leitor. Minha literatura propõe uma prática viva de Liberdade absoluta.
Le livre de la Liberté!


TODA OPINIÃO QUE NASCE DA RAIVA É TOLA.


Erros de avaliação depõem exclusivamente contra quem os faz. Não adianta chamar de feio quem é belo, pois isto não o cobrirá de feiura. Não adianta chamar o gênio de burro, pois isto não o deixará idiota. Não adianta falsear um fato com argumentos raivosos, pois isto não muda a realidade. Julgamentos desprovidos de verdade não alteram a qualidade do objeto, mas dizem muito sobre a falta de inteligência do sujeito. E se essa manifestação irracional for acompanhada de algum tipo de violência, inclusive verbal, a coisa fica pior ainda. Chamar alguém de filho da puta com sussurros não torna puta a mãe do ouvinte, mas demonstra uma certa finesse de quem xinga. Entretanto, gritar em altos brados a mesma imprecação só demonstra que o autor, além de não saber raciocinar, não controla sequer as próprias emoções. O infeliz talvez ache que a altura do que supõe ser a verdade é uma questão de decibéis... Fuja desse tipo de gente. Essa história de flor de lótus é bobagem: do lodo geralmente só sai barro.


JULGAMENTO VERDADEIRO É AQUELE QUE VOCÊ FAZ QUANDO ESTÁ INTELIGENTE.


A hipótese do Espírito é magnífica. A ideia de Deus como energia é grandiosa. Deus pode ter massa e pode ser explicado por uma equação escrita por Einstein. O Espírito pode ser matéria. Deus pode ter mil elétrons na última camada. Deus pode ser apenas mais um maravilhoso elemento químico na Tabela Periódica! Como se vê, esse é um assunto sério demais para continuar fora do âmbito da Ciência.


LONJURA É FÁCIL DE SER MANTIDA. PROXIMIDADE REQUER CONTEMPLAÇÃO.


Eu respeito sempre os meus amores. Assim mesmo: no plural. Tenho muitos. Sempre os tive. Mas, quando eu digo "respeitar os meus amores", às vezes refiro-me às pessoas que eu amo, outras vezes às coisas que eu sinto. Portanto, respeitar os amores tanto pode significar respeitar as vontades (desejos, critérios, conceitos) de pessoas que eu amo (e que suponho me amem), quanto seguir livremente as paixões (desejos, critérios, loucuras) que eu trago no meu próprio peito. Dito de outra forma, e preferencialmente: respeitar os meus amores é seguir meu coração. Sempre.




Quando Jesus foi crucificado, Maria não escolheu o André para lhe ser o sucessor, nem Madalena foi atrás de um outro namorado. Assim como eu: se por acaso um dia morrer, minha mãe não me trocará por outro irmão: continuarei lhe sendo o primogênito — amado, insubstituível. Só não sei o que farão essas minhas adoráveis Madalenas...


A INTELIGÊNCIA FAZ MILAGRES.


O mundo é feito para atender padrões. Portanto, é praticamente impossível instalar rampas de acesso em todos os prédios do mundo. Os cadeirantes, por algum tempo ainda, não conseguirão ser totalmente bem atendidos em suas locomoções públicas. Aliás, mantidas as proporções e a visão do problema, isso acontece também com os cegos, os surdos, os analfabetos, os manetas, os anões, os altos demais, os obesos, os anoréxicos, quem precisa de muletas ou bengalas, os deficientes mentais, os gênios — e os poetas. Somos excepcionais. Logo, não nos encaixamos nos padrões do mundo. Nos padrões operacionais e de construção do mundo. A humanidade certamente encontrará soluções mais racionais do que rampas de acesso em todos os prédios e casas e casebres do mundo, ou avisos sonoros (audíveis até para os surdos) em todas as esquinas, ou pisos especiais em todas as calçadas do mundo, ou placas em Braille ou Libra, ou telefones públicos de várias alturas, ou assentos de vários tamanhos, e quantidade certa, em todos os metrôs, ônibus, trens e aviões, carroças e charretes de todos os países do mundo. Pistas de dança com rampas de acesso, regras e quadras especiais de vôlei ou basquete para obesos, ou anões; músicas audíveis para surdos, telas de notebook em Braille, televisores para cegos, etc. Assim como não dá para fazer regras especiais de conduta para os poetas e artistas. Creio — e desejo, sinceramente — que tais soluções sejam encontradas no futuro, o mais rápido possível. O poder da ciência e a inteligência humana não têm limites.


(*) Claro que eu cito poetas e gênios no texto acima apenas por elegância — e para deixar a coisa mais leve. Pois a discriminação social aos deficientes é de outro tipo. Falta uma política pública racional para atender a todos.



OS INDIFERENTES SÃO TODOS IGUAIS.


Sou a favor do casamento de todos os animais. Dos cabritos e leões, dos macacos, elefantes e esquilos. Sou a favor do casamento de todas as aves. Dos albatrozes e das águias, e até dos passarinhos. Sou a favor do casamento de todos os insetos, das aranhas e formigas, dos peixes, dos mosquitos e abelhas, dos répteis, crustáceos e moluscos. Dos anfíbios e dos vermes, das amebas e baleias. Sou a favor do casamento dos deuses e poetas, dos demônios e dragões, dos anjos e sereias, e até das bactérias... Mas, quanto ao casamento dos humanos — tenho cá minhas ressalvas...

Ninguém se casa para ficar mais livre. Caso o tema te interesse, veja aqui algumas
Razões para Casar

4.2.12

Foto feita por Myria ao receber os meus livros em Recife

Estou profundamente envolvido em alcançar uma concepção de arte e de literatura que se transforme numa emocionante Filosofia de Vida. Eu escrevo — preferencialmente — para loucos brilhantes e livres de espírito.



É preciso esclarecer que todo grande mestre, quer seja ele zen ou não, prega o controle dos estados de espírito como a sua maior conquista como ser humano. Mas, entre as pessoas comuns, o desequilíbrio emocional parece ser algo tão corriqueiro quanto abominável. Explosões emocionais (contidas ou violentas) levam o corpo a uma desgastante produção de hormônios que suportem, fisiologicamente, manifestações de ódio, medo, vergonha, ciúme ou desespero, quase sempre causadas por julgamentos imperfeitos realizados por um cérebro não polido. Energias enormes são assim desperdiçadas ao longo da vida. Energias que poderiam ser canalizadas para outras operações, seguramente mais saudáveis.

Entretanto, outra coisa extremamente grave pode acontecer nesse processo. Depois de errar tanto e pedir tantas desculpas (ou suprimi-las gerando um acúmulo de culpas), o cérebro vai se sentir um completo incapaz. Um incompetente. E vai diminuir, biologicamente, sua capacidade operacional. Não vai conseguir gerir com eficiência o próprio corpo a que pertence. As funções vitais ficarão comprometidas. A respiração, o metabolismo, o batimento cardíaco, a produção de endorfinas, o funcionamento glandular, etc. O corpo passa a adoecer com mais facilidade. Não só as sinapses se desestabilizam, mas toda a estrutura biológica do infeliz que erra muito.

Essa minha tese ainda não está finalizada. Pretendo refiná-la nos próximos dias. Ainda não decidi se a levo mais para o lado da psicologia ou neurolinguística.




A OUSADIA INTELIGENTE MOVE O MUNDO.



Um dos meus amores pretende abrir uma empresa de paisagismo no Guarujá. Para ajudá-la nesse projeto, e com base em minhas experiências anteriores, comecei a escrever um texto abrangente, uma espécie de rotina poética de procedimentos racionais para que ela tenha sucesso nessa realização de um sonho. Se seguir o que eu disser, sei que terá.




COMO VAI A LIBERDADE DO TEU ESPÍRITO PÁSSARO?


A vida está por um fio. Tua casa tá pegando fogo, teu amor se despedaça, tua hora está chegando... Não a hora da morte biológica, que pode até demorar, mas a hora da verdade, a hora de virar gente, a hora de assumir o comando. A hora de tomar consciência. A cebola da vida está descascando, inexorável, aí, ao teu lado; o leão do tempo, feroz, rugindo no teu cangote — e você não reage. Nem se mexe. Acontece que há conclusões às quais você tem obrigação de chegar, hoje: Ou você se salva — ou você se fode. Não há meio termo.

É isso que eu quero dizer novamente hoje, mas você teima em não me ouvir. Parece que todos temos uma certa tendência neurótica em deixar as coisas como estão, em salvar as aparências, em manter as estruturas — mesmo que apodreçam. Quase todos temos uma enorme preguiça de agitar as circunstâncias. Propendemos a deixar tudo como está, embora vivamos fazendo promessas de mudar o mundo. Como disse Goëthe no Fausto, "a quem persiste na Esperança ainda resta a Salvação". Mas você sempre deixa pra depois. Você chuta o agora. Você adia o instante. Você posterga o hoje.
Você pensa que vai viver mil anos...
Mas não vai, não.
Nem eu.




POR QUE VOCÊ SEMPRE CHUTA O AGORA?


Quando nos perdemos um do outro, ganhamos o direito de buscar de novo — um outro outro. Esse vácuo que se abre quando o outro se vai não deve ser nunca preenchido com restos de um passado que já não há. Esse espaço que o outro desocupou — até que enfim — agora é só teu. Cubra-o de paixões e de aventura.
Ela me olha, incrédula, quase assustada:
— Mas como poderei amar a perda, se o que perco é aquilo que eu mais amava?
— Gostei do ato falho: você disse “amava”.
— Mas eu amo ainda.
— E se separaram? Perderam-se um do outro, por quê?
— Divergências momentâneas... — ela me assegura.
— Aproveite a oportunidade: só a perda abre caminho para o novo.
— Ah, eu não gosto de perder — ela reclama.
— Troque: diga então “Só a separação abre caminho para o novo”.
— Mas eu também não quero me separar. Toda separação é dolorosa...
— Dolorosa para quem é fraco — resolvo provocar.
— Você acha que sou fraca?
— Não importa o que eu acho: procure, você mesma, ver-se como você é de verdade. Quem se sente forte, é forte. Quem pensa que é fraco, é fraco.
Ela suspira e solta os cabelos. E diz: — tudo que eu tinha apostei nessa relação.
— Essa frase é muito manjada — eu retruco.
— Tudo que eu era coloquei nesse casamento — ela fala como se não tivesse me ouvido. — Na verdade o vazio não está fora de mim: está dentro de mim. Não foi o casamento que se esvaziou: fui eu que me enchi de nada...
— Gostei desse duplo sentido do que você disse: “fui eu que fiquei cheia de nada”. Linda metáfora.
— A questão não é de metáfora: trata-se de uma solidão que se aproxima sobre mim de maneira insuportável.
— Estou gostando... — eu digo olhando para ela.
— Gostando do quê?
— Das tuas construções verbais, das tuas palavras bem colocadas. Por que você não tenta escrever sobre essa fase da tua vida?
— Eu sempre gostei de escrever, mas desde que me casei tive que parar — ela fala. — Ainda éramos noivos e ele leu um caderno de poesias que eu tinha escrito: pensou que fossem dirigidas a outro homem. Pediu que eu rasgasse...
— Então, teu futuro marido já era um estúpido — eu me arrisco.
— Estúpido, não — ela me corrige, querendo defendê-lo.
— Ah, desculpe-me: teu marido era um "gênio": só mesmo um gênio pode rasgar um caderno de poesias da pessoa que ele diz amar. Da futura esposa! Se quando ainda noivo ele já se mostrava imbecil, por que você levou avante o projeto? — eu atiço.
— Eu tava apaixonada — ela responde. E queria ter um filho dele — completa.
Sei que não tem filhos, mas resolvo não seguir por esse assunto. Mostro-lhe a garrafa inclinada e ela, sorrindo, consente com a cabeça. Levanta-se e abre dois botões da blusa. E eu pergunto:
— E teu marido, também apostou tudo nesse casamento? Ou vocês eram apenas dois loucos à procura de um fim?
(...)
Pausa para procurar o saca-rolhas. E momento para eu ficar pensando um pouco sobre o acaso. Tem diálogo que também não tem fim, suponho. A gente tem que aprender a ler os sinais. Quando eu retorno da cozinha ela já está completamente nua — e a nossa conversa muda completamente de rumo.
(...)
O diálogo acima é parte do meu livro Solidão a Mil.





EU ABRAÇO SEMPRE O CORPO QUE TEM MAIS CORAÇÃO.


Houve um tempo em que os meus amores queriam que eu fosse imortal. Suplicavam isso a Deus a todo instante, ajoelhados e contritos, lágrimas nos olhos. Deus, ao perceber tamanha sinceridade, atendeu-lhes o pedido, prontamente. Mas acabou exagerando. Tornou-me até capaz de conceder imortalidade a qualquer um dos meus amores. E hoje é o que eu faço — a todos eles. Amor com Amor se paga.





A LIBERDADE É PERIGOSA, MAS A PRISÃO TAMBÉM NÃO É SEGURA.


Se eu não mudasse, afundaria junto com as circunstâncias. Era preciso portanto que eu sumisse dali, que abandonasse tudo o que me envolvia. Tudo: o pai, a mãe, os irmãos, a família, os amigos, o dentista, o professor. O time, o futebol, as namoradas, minha vó, meus espetos de picanha. Eu tinha que abandonar tudo, inclusive minhas idéias, especialmente as preconcebidas. Os cobertores azuis, a pátria, a religião, e até mesmo meu querido cavalo Estrela. Eu tinha quinze anos. E tinha que abandonar tudo. Meus lençóis de cetim, meu quarto, minha cama, meus livros, meu baralho, meus recortes de jornal. Eu tinha que abandonar tudo — antes que chegasse o desespero. Eu precisava me desligar do passado, urgentemente. Então, como não tinha presente, enfiei meu radinho de pilha num saco de pão, enchi meu peito de futuro e de coragem, de alegria e de relâmpagos — e mergulhei de cabeça na incerta e gloriosa correnteza da vida. Nas águas revoltas do coração do mundo.

Deu certo.


Eu não adoto padrões mirabolantes para classificar os seres humanos. Não os classifico por peso, idade, volume ou cor da pele. Não me importa o seu saldo bancário, nem a casa onde moram, nem os carros que utilizam. Para mim, os seres humanos são de dois tipos: os que deram certo, e os que deram errado. Os que deram certo são os felizes. Os que deram errado, os infelizes. Suponho.




JÁ ESTAMOS EM MARÇO. VIVA ESTE MÊS QUE SE ABRIU.


A monogamia é a principal causa da impotência sexual masculina. Para a mulher, a monogamia é ainda mais desastrosa. Mulher que tem um homem só — por muito tempo — parece morta, desanimada, olhar sem brilho. Porque ela precisa escamotear a própria sensualidade para suportar a situação insuportável de uma relação sem graça. Tem que sufocar constantemente os próprios desejos. Por isso ela sorri tão pouco e conta nos dedos esses anos que perdeu... Faz planos de mudar de vida, mas só muda mesmo os móveis de lugar. E acaba comprando um jogo de panelas. Ou um sapato novo. Ou, dependendo da classe social, um parzinho de chinelos. Em vez de arranjar um amante, abraça a tv. Em vez de Henry Miller, vê novela. Se a fidelidade for recíproca, os dois serão solidários na tragédia — e se afundam mutuamente. Se machucam quase sempre e se amolecem pouco a pouco. Até que a morte os separe... É fatal.

Claro que a exclusividade, em certos casos, pode acontecer, e até ser muito gostosa. Mas tem que ser espontânea, fundada na liberdade absoluta — e durar pouco. Pouquíssimo: dois ou três dias podem ser uma delícia. Com duas ou três semanas, você sabe, as coisas já se complicam. Se durar dois ou três meses, o quadro clínico é sério — mas ainda tem cura. Porém, se a exclusividade sexual passar de dois ou três anos, torna-se uma tragédia! O touro vira um boi, e a musa — ratazana. A monogamia é uma invenção maldita: ela só permite o lado trivial e minúsculo do amor. É fatal.




A VIDA E EU NOS DESEJAMOS — MUTUAMENTE.



Leonardo da Vinci não conheceu Angelina Jolie. Portanto, temos que perdoá-lo pelos lábios finos da Mona Lisa. Mas não será por isso que agora iremos alterar o quadro... Não se altera uma obra de arte — mesmo que suponhamos estar melhorando-a. Da mesma forma, temos que aceitar um grande amor como ele é. Tentar corrigi-lo é uma falta de respeito ao Criador.


Eu não quero ensinar nada a ninguém. Não quero ser mestre, nem sequer me chamo Buda. Só quero provocar intelectualmente as pessoas criativas, como suponho você é. Quero esmagar todas as convicções — especialmente as minhas. Em verdade, não quero muita coisa: só quero abraçar a metade do infinito, e fazer o sol nascer azul no céu da tua boca. Quero amar a Liberdade, saltar profundo, viver a Vida. Dançar abraçado a Nietzsche na corda bamba à beira do abismo. E sempre colocar meu coração no bom caminho — ou seja, no caminho da perdição gostosa e da alegria desgovernada.


Você já notou que nas prisões não há jardins?


Há um conflito que come o teu lado de dentro. Ele come quase tudo: come teu desejo, come tua emoção, e vai comendo aquele restinho de cor e de brilho que você ainda possa ter. O desgraçado mata tua criatividade. Mata tua poesia, teu sexo, teu romance. Esse conflito é um monstro sem face sorvendo a tua força interior. Ele primeiro se alimenta do teu ânimo, e depois come o teu cansaço. Come o teu corpo — e depois devora o teu sossego, a tua paz. Devora a tua alma. Ele te abraça e te sufoca. Esse monstro se alimenta de tristeza. Se alimenta de rancor e preconceito. Mas, felizmente, há uma saída, há uma solução: — A solução é ser feliz. Acontece que, para aceitar tal conclusão como verdade, é preciso dar um passo além. E aqui teremos um novo nível de complicação: esse monstro sem face te quer imóvel. E agora?


Meditar, estudar Filosofia — e ser livre — são três coisas fundamentais na vida de um ser humano. Se não estudarmos um pouco de Filosofia, não seremos capazes de analisar corretamente as circunstâncias, nem de compreender a vida. Se também não meditarmos com freqüência, jamais explicaremos as razões de sermos o que somos. E sem ser livre, sequer teremos coragem de mudar o mundo. Mas só meditar não basta. Ficar um dia inteiro embaixo de uma árvore, na posição de Lótus, não adianta nada. No máximo, você talvez crie raízes e vire um arbusto. É necessário, de vez em quando, convidar Platão para um jantar romântico, ouvir o que Sêneca tem pra nos dizer, conversar um pouco com Aristóteles, tomar um vinho branco com Jesus, dançar com Vênus, visitar o velho Nietzsche, subir à torre de Montaigne — e assim por diante...



No vídeo acima se diz que o meu texto é do Pedro Bial, mas tudo bem... rs!




NEM TODA TRAGÉDIA TEM QUE SER INFINITA. JÁ EXISTE O DIVÓRCIO...





TODA PROVOCAÇÃO INTELIGENTE É UM DESAFIO EMOCIONANTE.


— Hoje é o dia mais feliz da minha vida.
— Por quê?
— Porque ontem não existe mais, e amanhã não existe ainda...
Só pode ser hoje!


QUANDO O CAOS FICA ÍNTIMO DEMAIS, TEMOS QUE TRANSFORMÁ-LO EM BORBOLETA.


Faça tudo para não pedir desculpas. Não estou propondo atitudes grosseiras, posto que, quando erramos, temos realmente que nos desculpar. O que proponho é o seguinte: que se pense antes de dizer. Que se julgue (racionalmente) a validade do que será dito, antes de emitir o próprio julgamento. Que se raciocine antes de praticar o ato. Dessa forma, erra-se menos. Logo, menor será a necessidade de pedir desculpas. Porque, quanto mais desculpas somos forçados a pedir, mais nosso cérebro vai convencer-se de que erra demais... E ele mesmo acabará concluindo que é um órgão deficiente. Fraco e falho.
Ainda estou escrevendo essa tese. Depois publicarei o original aqui.