7.11.12

Eu sempre me afasto das pessoas perigosamente normais...

Eu não busco aprovação alheia, nem quero aplausos fáceis. O apoio dos normais não me interessa. Eu quero apenas provocar intelectualmente as pessoas criativas, como suponho você é. No fundo, eu quero questionar todas as "verdades", e esmagar todas as convicções. Inclusive as tuas, mas principalmente as minhas. Para que possamos trocar experiências fascinantes — e talvez criar alguma coisa verdadeiramente nova.


Se todo amor fosse eterno, aquele teu primeiro já teria sido...


Tenho dito que você deveria libertar-se das amarras, saltar profundo e viver a vida. Acontece que isso é uma proposta retórica. Não estou pregando que você deva realmente abandonar tudo e sair correndo agora mesmo. Simplesmente porque não há profundidade suficiente para todos saltarem, ao mesmo tempo. Aliás, se todos saltassem perderíamos as referências. Se todos saltassem — saltar passaria a ser uma coisa banal, comum. Se todos largassem tudo, a vida viraria uma bagunça... Seria o caos. E se tem uma coisa pior do que a ordem absoluta, é a desordem absoluta. Portanto, é preciso que quase todos permaneçam exatamente como estão, atolados nessa desgraçada rotina quotidiana — e cuidando das engrenagens do mundo — para que apenas uns poucos, pouquíssimos, saltem profundos. Afinal, saltar profundo não é pra todo mundo.


Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.


As grandes inteligências conseguem considerar duas ou mais visões contrastantes — ou contraditórias, e até mesmo antagônicas — de uma mesma questão, analisá-las ambas ou todas em conjunto, simultaneamente, e não preferir nenhuma delas até que alguma conclusão logicamente satisfatória e defensável se apresente.


Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.


A liberdade é perigosa. A vida livre é arriscada, insegura, incerta, é cheia de surpresas, cheia de perigos e de buscas, mudanças, sobressaltos. A liberdade é muito perigosa... Só quem ama o risco é que pode ser livre. Só quem é dono de si mesmo é que pode ser livre de verdade. Só quem é dono do próprio destino é que arrisca a vida para salvar a própria vida. A liberdade, portanto, não é para qualquer um: os acomodados e os covardes jamais serão livres. Escravos não conseguem ser livres. E a segurança da gaiola seduz.


Se vocês não arriscam nada — pretendem ganhar o quê?


Nunca escondo meus leitores de si mesmos: em verdade, eu ilumino a parte escura do caminho que se encontra dentro deles. Como sou um garimpeiro de verbos incendiados, só gosta de me ler quem já tem brilho e não se apaga... Mas se eu primeiro não tornar as emoções em alegria, não terei coragem de abrir meu coração inteiro para ser lido com ternura por você. Por isso, só me mostro mesmo após o meu encanto, e só te dou estas palavras depois que as refino. Aliás, se eu não polir as minhas pedras preciosas com amor e gostosura, como poderia eu querer trocá-las por essa tua tão amada luz diamante?


A melhor realidade é aquela que nasce de um sonho.


Minha proposta é a Liberdade Absoluta. Eu venho é para semear auroras no teu peito. Quebrar paradigmas, derrubar padrões. Não trago nenhuma resposta pronta: eu só faço perguntas. Em verdade, eu quero é mexer no coração da tua cabeça, por fora e por dentro — poeticamente. Fazer um delicioso cafuné nos teus neurônios enrolados e amorosos. Passar um doce pente fino nos caracóis da tradição... Eu quero questionar as tuas verdades mais queridas. Chacoalhar essas tuas convicções inabaláveis. Não quero te propor sossego — nem venho te trazer nenhuma paz cansada. Eu apenas te convido a ter coragem! Eu te convido a um salto profundo em direção à Vida. Escandalosamente profundo!


Tem dias que alguns querem colocar-me contra a parede...
Mas a parede nunca é contra mim.


Ninguém vai além de seus limites. Se for, não eram. Afinal, se alguém ultrapassar os seus limites, então não eram realmente limites. Eram falsos limites. Milhões de pessoas têm falsos limites. E o que é pior: acreditam neles. Não raro, limites estipulados por terceiros, que sequer teriam direito de interferir em vidas alheias. Mas os piores limites, os mais lamentáveis, são aqueles que nós mesmos nos impomos — quase sempre muito aquém do que seria o ideal, com base em nossos próprios estados negativos de potência. Portanto, não se deixe limitar, nunca! Nem por seus inimigos — nem por esse monstro horroroso e carniceiro que se chama Falta de Coragem.


Amar de verdade é jamais ter ciúmes do objeto amado. Nem medo de perdê-lo. Amar é não forçar nada, sequer um beijo. Amar é não fazer perguntas desnecessárias ou indiscretas — muito menos na hora errada. Amar é deixar fluir a relação em todos os sentidos. É incentivar o voo livre que o outro pode estar querendo, e às vezes até mesmo empurrá-lo com ternura para o abismo gostoso do desconhecido profundo. Amar é respeitar com devoção e aplaudir com entusiasmo esse desejo louco de saltar que o outro às vezes tem.


Assim que o escrevo, eu e o poema nos tornamos uma coisa só.


A condição sine qua non para subir ao Pico (e sentir-se muito bem aqui) é ter asas próprias, saber voar com eficiência — e amar a Liberdade sobre todas as coisas. Sem isso, é melhor contentar-se com o sopé da montanha. Ou então tomar providências rigorosas imediatas!

10.8.12

Beethoven, desde o inicio da carreira, vivia criando grandes obras da música clássica — mesmo que ainda nem fossem. Com isso ele desenvolvia suas próprias técnicas, geralmente geniais. Aliás, se ficasse apenas copiando as composições alheias, jamais teria sido um grande artista. No máximo, ao fim da vida, seria só um zé-ninguém. Ou um pianistazinho de boteco, no subúrbio de Viena.


Tem gente que esclarece o objeto. Eu prefiro iluminar o sujeito.


Acabo de formalizar a criação da EMc³ — Edson Marques Consultoria³. Porque não me basta ser apenas um poeta zen. Eu quero também criar paredes tão bonitas que pareçam indecentes. Eu adoro arquitetura, e sou discípulo do Calatrava. E também adoro o jogo das empresas. Sei fazê-las crescer. Foi por isso que criei a Xtratego Ferment. Mais alguns detalhes na minha página de ideias. Afinal, sou um Vendedor de Imaginação.


A ousadia inteligente move o mundo.


Resumindo — eu posso dizer que, na vida, são quatro as questões fundamentais:
O que sou.
O que posso saber.
O que devo fazer com aquilo que sei.
E quais as consequências do que sou, do que sei, e do que faço.
Se ainda não soubermos as respostas a essas quatro questões — nem as estamos procurando de modo racional — é provável que estejamos simplesmente desperdiçando nosso potencial infinito enquanto seres humanos. E suponho que isso também vale para nossos empreendimentos e demais atividades profissionais.


Só o que está morto não muda.


Meditar, estudar Filosofia, amar a Liberdade e ter muito tempo livre — são as quatro coisas fundamentais na vida de todo ser humano. Se não estudarmos um pouco de Filosofia, não seremos capazes de analisar corretamente as circunstâncias, nem de compreender a vida. Quem não ama a Liberdade jamais conhecerá o verdadeiro Amor. Se não tivermos tempo livre não criaremos nada significativo, nem teremos entusiasmo para mudar o mundo. E se não meditarmos com frequência, jamais explicaremos as razões de ser o que somos. Mas só meditar não basta. Não adianta ficar um século embaixo de uma árvore, na posição de Lótus. No máximo, você talvez crie raízes e vire um arbusto. É bom convidar Platão para um jantar romântico, ouvir o que Sêneca tem pra nos dizer, conversar um pouco com Aristóteles, tomar um vinho branco com Jesus, dançar com Vênus, visitar o velho Nietzsche, subir à torre de Montaigne — e assim por diante...


Eu dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.


Não devemos ficar muito impressionados com uma ideia, só porque ela é nossa. Toda hipótese não passa de um pequeno passo no caminho do verdadeiro conhecimento. Temos que perguntar, sempre, por que uma determinada ideia nos agrada tanto. Temos obrigação intelectual de compará-la, imparcialmente, com as alternativas. É bom verificarmos se é possível encontrar razões que a invalidem. Aliás, essa verificação é fundamental. Porque, se não fizermos isso, outros certamente o farão — e nós poderemos ser inclusive ridicularizados. Nossa reputação intelectual pode ir para o ralo. O que nos deve interessar, portanto, antes de tudo, é a verdade, e não o nosso apego inabalável a certas conclusões que adoramos.


A fé move montanhas. A Razão, cordilheiras.


Charles Darwin demorou vinte anos para publicar A Origem das Espécies, por causa da esposa, que era religiosa e não aceitava a teoria da evolução. Charles então somatizou angústias, ficou triste, ficou doente. Quando enfim deixou de respeitar os preconceitos da esposa e publicou sua obra — sarou completamente. Moral da história: se você tiver que fazer algo que considera justo, verdadeiro e necessário, não espere autorização de ninguém. Vá e faça!


MAS NÃO COMETA O ERRO PRIMÁRIO DE SUPOR QUE ACERTA SEMPRE.


Quero te fazer umas perguntas, cujas respostas podem me dizer quem você é: Especialmente em questões subjetivas — tais como amor e religião, psicologia, liberdade, casamento e política — quando você não concorda com determinadas concepções alheias, também considera que a razão pode estar com o outro? Em certos debates, em certas discussões, você costuma ter abertura intelectual suficiente para eventualmente considerar que o ponto de vista contrário ao teu pode estar até mais próximo da verdade? Na vida, você já não defendeu valores, ideias e proposições que depois envelheceram, desesperadamente? Você já não teve tantas e tantas certezas absolutas que mais tarde foram fulminadas pelo tempo, pela experiência — e, principalmente, pelo estudo? Sobre certos assuntos, você já não mudou de ideia muitas e muitas vezes? E será que agora você nunca mais vai mudar? Será que você, neste exato momento da tua vida, já chegou a todas as conclusões possíveis?


A realidade é a soma do que existe e do que sonhamos.


Varrendo com elegância, eu aprendi a ter disciplina. Varrendo os cisquinhos, os papéis, as tampinhas de garrafa, todo dia, eu aprendi a ser zen. Eu só tinha nove ou dez anos, mas já varria com método, coreografando uma espécie de dança com a vassoura, meditando, desenhando na poeira certas coisas que combinassem com as irregularidades daquele chão inesquecível do armazém do meu pai. Varrendo, eu planejava a minha vida. Varrendo ciscos geométricos por sobre os cacos coloridos da cerâmica vermelha eu construía uma louca arquitetura de mistérios insondáveis. E então chegavam clientes querendo talvez meio quilo de açúcar. Ou duzentos gramas de mortadela. Às vezes um pão sovado. Não importava: em qualquer das hipóteses, antes de atendê-los, eu me transformava no Balconista do Olimpo — e os atendia sempre sorrindo. Ou seja, varrendo e vendendo, eu aprendi a perceber padrões. A interpretar as circunstâncias. Varrendo e vendendo, eu aprendi a ser cigano, a ler as mãos — e ver a Sorte.

Estou criando uma empresa-conceito chamada TEMPO — com base na minha ideia 234. Isto vai envolver a contratação de alguns dos cérebros mais brilhantes do Brasil para que executem os principais projetos.

Tudo que existe no mundo — existe duas vezes: primeiro, na cabeça do Criador. Toda mudança tem que antes ser sonhada. A realidade só se transforma de verdade, na prática, depois que transformou-se em teoria. Primeiro no cérebro — depois, no mundo. Sem sonho e sem loucura inteligente, nada de concreto se produz. Nem sorvete, nem avião, computador, arranha-céu. Nem igreja, nem poesia, nem romance. Os inventores, os poetas, os artistas, os cantores, são todos visionários. Einstein, Jesus Cristo, Picasso, Buda, Galileu, John Lennon, Neruda, Niemeyer: um bando de malucos. Se dependesse apenas dos normais, ainda andaríamos de carroça. Talvez nem mesmo de carroça, pois a roda foi criada por um louco... Sem fantasia e liberdade não se encanta o cotidiano. A imaginação descontrolada é que dá cor e vida ao mundo. Por isso é que a Loucura criativa é tão necessária, tão desejada — e ao mesmo tempo tão temida.
De que lado você está?

A PRODUÇÃO DE RESULTADOS NÃO DEPENDE DA ESPERANÇA.


Eu não busco aprovação alheia, nem quero aplausos fáceis. O apoio dos normais não me interessa. Eu quero apenas provocar intelectualmente as pessoas criativas, como suponho você é. No fundo, eu quero questionar todas as "verdades", e esmagar todas as convicções. Inclusive as tuas, mas principalmente as minhas. Para que possamos trocar experiências fascinantes — e talvez criar alguma coisa verdadeiramente nova.

4.8.12

ideia 205

Quando me perguntam o que sou e o que faço digo apenas que sou um Criador. Tenho ideias, muitas, sobre vários temas, todo dia. Projetos, sonhos, invenções. Planos loucos, inclinados, geniais. Alguns são colocados em pedaços de papel, outros vivem no meu próprio coração. Muitos viram poemas, livros, amores, empresas, relações. Meu primeiro amor foi Marina, aos sete anos. Mas meu primeiro empreendimento foi na área de calçados, também aos sete anos. Depois, a AJAN — Aliança Juvenil dos Amantes da Natureza — foi considerada subversiva pelos militares, que a fecharam. O meu time de futebol durou só dois anos, pois concluí que era melhor ser o craque do time do que ser apenas o dono. O Restaurante, aos dezesseis, em cuja construção aprendi com meu pai a beleza do piso cerâmico em diagonal, continua funcionando até hoje. O terceiro projeto comercial, aos 22 anos, virou minha primeira empresa — que abandonei de modo romântico e poético como se pode ler dando um click na imagem acima. O quarto projeto, criado em 1994, chamado Liberdata, uma empresa de sistemas, ainda está no ar, criando sites, etc. Em 1996 fundei a OfficeAll, um escritório diferenciado de consultoria, que funciona na Avenida Francisco Matarazzo, SP. Entre 1999 e 2002 fui consultor intelectual em Cooperativas de Trabalho (na Reunidas fui Diretor de Estratégias e na CooperÚnica, Diretor-Presidente). A Máquina de Vendas, criada em 2002, vai de vento em popa. A UCB, uma construtora voltada para revestimentos cerâmicos Portobello, foi criada em 2006 com minha consultoria. Em 2010, comecei a montar o projeto de uma nova construtora — PCB — que só em Dezembro de 2013 vai ter seu início formal. Um pouco antes disso, eu e Joyce Ann abriremos a Portobellissimo. Atualmente, estou montando uma empresa-conceito, que ainda não tem registro na Junta Comercial, mas que chamo de Ideia 152. Em maio de 2013 criei (e já está funcionando a pleno vapor) a Calçadas do Brasil. Também criei e (juntamente com dois sócios) estou abrindo (Dezembro 2013) uma empresa de Apoio Operacional em SP. Até o final deste ano formalizarei mais uns três ou quatro projetos, sendo que o mais ousado deles (e o mais criativo, do meu ponto de vista) é a Ideia 205. A propósito: já estou na ideia 299. No meio disso tudo, casei-me cinco ou seis vezes, mas continuo solteiro, sem filhos — e completamente livre. Entrei na USP quatro vezes, publiquei sete ou oito livros e estou escrevendo outros tantos. Também escrevi o texto para o Comercial da Fiat, feito pela Leo Burnett. E edito o blog Mude, onde escrevo alguma coisa todo dia. Além disso, gosto de vinho, sei cozinhar, salto profundo e faço café...

Empregos formais eu só tive dois em toda minha vida. O primeiro, aos dezoito, como Auxiliar de Custos, na Protin, em SP. Um emprego ao qual concorri e ganhei mediante aposta que envolvia matemática, e que depois relutei em aceitar, pois já estava na Filosofia da USP. Seis meses depois, entretanto, fui promovido a Programador de Computadores, e depois Gerente de Processamento de Dados. Fiquei quatro anos... Saí para aprender cinema na Revela, pois tinha entrado na ECA-USP. Em seguida, e por acaso, fui ser Gerente de Informática na ITEL, empresa da família Mascheretti, cujos três irmãos (Gian, Renato e Marco) me influenciaram profundamente com seu estilo de vida e com sua inteligência brilhante — e a quem devo muito do que agora sou. Entre outras coisas, foram eles que me ajudaram a criar a Liberdata.

Afinal, eu já escrevi um poema chamado Mude, e já vendi serviços especiais para a Scania do Brasil e para a SKF. Já inventei um apito, criei algumas empresas e desenhei uma casa (que ainda nem fiz). Já escrevi sistemas em Assembler e Cobol, e já marquei gol de bicicleta. E já conquistei o coraçãozinho palpitante de uma menina delicada, inocente, duplamente maravilhosa, que se chama Joyce Ann. Como se pode concluir — eu não tenho limites... Sou capaz de qualquer coisa.

Mas eu às vezes me defino como um Analista de Circunstâncias. Um Vendedor de Ideias. Ou, melhor: um Vendedor de Imaginação...

Na Filosofia e na faculdade de Direito (três anos no Largo São Francisco) eu sempre me defini como indefinível. Porém, depois, ao estudar computação e me tornar um analista de sistemas, senti que essa expressão também me era imprópria, pois meu universo se expandiu, e comecei a supor que eu era um "analista de circunstâncias". Com o tempo, virei um Criador de Conceitos — e era exatamente isso que dizia o meu cartão de visitas. Acontece que eu sempre mudo. Aliás, como diz o meu poema: Só o que está morto não muda. Então, e por isso mesmo, eu hoje passo a definir-me como um Descobridor de Competências. Mais tarde eu volto aqui para explicar esse conceito.


Certas pessoas (filósofos, cientistas, astrônomos, biólogos, físicos, químicos, teólogos, etc.) criam sistemas, compostos de teorias pretensamente bem elaboradas e bem estruturadas, visando descobrir ou explicar, dentro de cada um desses respectivos sistemas filosóficos ou científicos, as causas, o funcionamento e as eventuais conseqüências de alguns fenômenos da natureza. Da natureza, do espírito ou do corpo humano, tanto faz. Vale para uma galáxia, e vale para um átomo. Sempre foi assim e sempre será assim. Não há outra forma racional de propor explicações que não seja por meio de uma estrutura verbal composta de palavras e fórmulas. Foi o que fez Einstein ao criar a Teoria da Relatividade Geral, foi o que fez Platão ao escrever o Mito da Caverna para explicar como percebemos a realidade, foi o que fez Newton ao descobrir a Lei da Gravitação Universal. Cada um escreve como supõe que o fato ocorre, como acha que a coisa é. Isso vale para explicar a função dos elétrons na Mecânica Quântica, o comportamento de uma célula cardíaca, a fecundação de um jasmim, e até mesmo a criação do Mundo. E este é o ponto que quero aqui discutir. Quero não explicar, mas entender as respectivas teorias, respeitando-lhes as abrangências e os limites. Ou seja, eu quero entender como é que as teorias são construídas, e como é que se sustentam.

Vamos, por exemplo, à criação do Mundo. Só há duas formas de montarmos uma explicação: por meio de uma Cosmologia, ou por meio de uma Cosmogonia. Ambas pretendem explicar como as coisas se deram no início. Tanto os físicos quanto os pastores, por exemplo, a partir desse princípio e nesta perspectiva, são filósofos. Tanto os cientistas quanto os teólogos usam da Filosofia para criar suas teorias, ou para defender seus pontos de vista. Quanto mais criteriosa e rigorosa for a explicação, mais respeitável será a respectiva teoria.

Preciso ainda ampliar essa questão e definir a linha que vou dar a esse texto.
Edson. Madrugada Neon de 03.11.13. 03h48. PNMMENJA. São Paulo.

4.6.12


Quando uma pessoa que eu amo fica doente, procuro curar-me junto com ela.


São duas as coisas (indispensáveis) que precisamos para conseguir a própria Liberdade: chamam-se Desapego e Coragem. E não dá para se ter uma sem a outra. Acontece que o verdadeiro desapego vai além das coisas materiais. Só ficamos realmente livres quando nos desapegamos até das coisas espirituais. Principalmente das coisas espirituais! Não basta desapegar-se do vinho e do Camaro vermelho: é preciso desapegar-se de Zeus. De Zeus, de Apolo, e de Vênus. É preciso desapegar-se do pão e das flores. Das estrelas — e também dos amores...

Sem desapego, impossível ser livre. E sem liberdade, impossível ser feliz.

A felicidade é uma flor delicada que a gente pendura nos galhos do Agora. Desde que bem pendurada, jamais cairá. Vai durar para sempre. Nunca secará. A felicidade é um estado de espírito — e é um estado tão profundo, que, uma vez atingido, viverá conosco para sempre. A felicidade, depois que a conhecemos de verdade, nunca mais a perdemos. É como uma iluminação budista ou zen. Talvez sejam até a mesma coisa.

Mas não imaginem que eu esteja negando a gostosura que é ter um Camaro vermelho ou um cavalo negro com sela de prata. A gostosura que é comer um pão sovado ou ganhar um buquê de rosas champagne. A gostosura que é ter orgasmos. Desapego não significa privação nem desprezo. É amor puro pela coisa em si.


A maior deficiência mental é a incapacidade de ser feliz.


Começo a supor que existem estratégias inconscientes pessoais inexplicáveis. Montadas à nossa revelia, escapam da nossa compreensão primária. São racionais, logicamente, posto que originadas no cérebro, embora delas não tenhamos consciência. Preciso pensar um pouco mais sobre isso.


Eu vivo a primavera em qualquer das estações.


A loucura é uma qualidade da minha alma e a liberdade é um atributo do meu corpo. Porém, enquanto substantivas, a minha liberdade e a minha loucura são propriedades que só a mim pertencem. Não abro mão delas nem de seu controle absoluto. Quanto ao corpo e à alma, eu os quero assim, mesmo: loucos e livres. Domesticá-los, jamais!

Como poeta, salto alegremente nos braços da loucura. Mas, como filósofo, preciso conceituar a expressão:

Embora seja insuportável para quem já perdeu a lucidez, a Loucura é a única salvação. Por isso recomendo aos "normais ainda saudáveis" que procurem o caminho poético da Loucura inteligente. Claro que não me refiro à loucura inconsciente, transtorno bipolar, psicose, depressão, esquizofrenia, nem algo semelhante. Eu me refiro à loucura criativa de Osho, de Dali, de Paritosh. Eu me refiro à loucura brilhante de Nietzsche, de Jesus e de Artaud; à loucura sagrada de Van Gogh, Henry Miller e Picasso. Eu me refiro à loucura que está ali — aqui — a quase 360 graus da sanidade. Eu me refiro à fuga da escuridão chamada Norma. À quebra radical das as correntes opressoras. Ao abandono puro e simples do rebanho. Eu me refiro à loucura luminosa dos criadores de mundos. À loucura dos amantes da liberdade absoluta. Esta, a loucura que (me) (te) (nos) encanta...


Não me convide para ser triste.


Se por acaso ou por desastre eu vivo um dia de rotina, espremo à noite o meu coração como quem torce roupa, e não sai nada — nem uma palavra, nem uma gota, nem um pingo, nenhuma emoção. Tudo fica meio cinzento e meio apagado, e meu corpo cansado só consegue dormir. Mas quando vivo um dia de aventuras, vivo também uma noite de prazer escandaloso. As palavras caem delicadas no meu colo, excitantes, graciosas, uma tempestade de desejos e de mel se forma no meu peito, um livro todo escreveria se quisesse. Deus me abraça com tesão e alegria, o vinho branco cai direto lá no céu na minha boca, o universo inteiro entra em foco, meus amores todos se tornam girassóis — e a Vida me convida pra dançar...
E tudo que eu toco vira música.


Ser livre excita. Aproxime-se de um ser livre..


Não devemos ficar muito impressionados com uma hipótese, só porque ela é nossa. Toda hipótese não passa de um pequeno passo no caminho do verdadeiro conhecimento. Temos que perguntar, sempre, por que uma determinada ideia nos agrada tanto. Temos obrigação intelectual de compará-la, imparcialmente, com as alternativas. É bom verificarmos se é possível encontrar razões que a invalidem. Aliás, essa verificação é fundamental. Porque, se não fizermos isso, outros certamente o farão — e nós poderemos ser até mesmo ridicularizados. O que nos deve interessar, portanto, antes de tudo, é a verdade, e não o nosso apego inabalável a certas conclusões que adoramos.


Já estamos quase no fim do ano que vem....


No meu livro Teoria do Acaso eu arrisco bastante na formulação das hipóteses. Vou até Cristóvão Colombo, estudar as razões que o tornaram um aventureiro inteligente. Mostro como as circunstâncias o levaram à descoberta da América. Analiso até os interesses de Fernando e Isabel, reis de Espanha, nessa empreitada. Conto até sobre os anos pobres em que Cristóvão Colombo vendeu livros de porta em porta para sobreviver. Porque, você sabe, se Cristóvão não fosse o louco que era, nem eu nem você existiríamos. É lógico que não existiríamos!


A chave que te dou para abrir os teus mistérios nunca deve ser usada. Conserva-os para ti.


É melhor que o nosso amor seja brilhante, escandaloso e carregado de energia, forte como um relâmpago — ainda que seja breve, ainda que dure pouco — do que ser apenas o reflexo assustado de uma vela acesa pela metade, fraquinha, quase apagando, tremeluzindo em desespero por toda a eternidade...


Viva a brevidade do teu amor de forma plena. Não queira esticá-lo mais do que ele pode suportar.


Quando eu falo em Jesus estou me referindo a um Mestre. A um gênio. A um filósofo que soube muito bem compreender a alma humana. Não é, provavelmente, o mesmo Jesus a que você se refere, e em quem você diz que crê. É outro. O meu Jesus é um sábio, o teu parece apenas um ser mitológico. Mas o bom de Jesus é isto: ele já previu que nós dois existiríamos. Um de nós Lhe dá as mãos em cumprimento respeitoso por suas ideias geniais, e o outro só Lhe pede salvação, e um potinho de miçangas. Mas o melhor de tudo nessa história é que, confiando em Jesus — cada um a seu modo — nós dois seremos salvos...
Cada um a seu modo.


Hoje eu vou tomar tequila com Biotônico Fontoura....


Sou o autor da minha peça e o próprio personagem. A dança e o bailarino, a música, o maestro, compositor. A ternura mais vermelha e delicada, o lóbulo da orelha e o copo de vinho do meu amor. O beijo e o abraço, a delícia e o licor. O êxtase, e todas as auroras que ainda vão chegar. Sou o céu do precipício, a língua do horizonte — e mais além. Sou o sagrado e o profano, o profundo e o supérfluo, a origem da tragédia, e o brilho da cor. Sou mínimo e tanto, pouco e princípio, paixão, excesso e glória. Sou relâmpago, transitório, passageiro, imprevisível, pétala de estrela solitária, um pingo de ocidente no teu mel. Sou todo infinito no entusiasmo, e a última labareda amorosa de uma espécie de fogo em extinção...


A capacidade de questionar as próprias convicções é um atributo dos seres mais elevados.


Minha proposta é a Liberdade Absoluta. Eu venho é para semear auroras no teu peito. Quebrar paradigmas, derrubar padrões. Não trago nenhuma resposta pronta: eu só faço perguntas. Em verdade, eu quero mesmo é mexer no coração da tua cabeça — por fora e por dentro — poeticamente. Fazer um delicioso cafuné nos teus neurônios enrolados e amorosos. Passar um doce pente fino nos caracóis da tradição... Eu quero questionar as tuas verdades mais queridas. Chacoalhar essas tuas convicções inabaláveis. Não vim te propor sossego — nem venho te trazer a paz cansada. Eu apenas te convido a ter coragem. Eu te convido a um salto profundo. Escandalosamente profundo.


Os pés de um grande amor mudam muito mais rapidamente do que o próprio grande amor, em si.


O sono é uma necessidade espiritual. Eu tive essa ideia semana passada e agora fico pensando sobre ela. O bom de ser filósofo sem compromisso e poeta louco é isto: eu posso escrever uma frase genial ou dizer uma besteirinha qualquer — tudo com a maior naturalidade. Mas essa questão do sono ser algo de fundo espiritual está me fascinando, realmente. É uma ideia minha — original. Portanto, se for uma besteira, eu assumo-a, integralmente. Claro que, se quisermos levar a sério tal discussão, precisamos antes definir o que é "espiritual". Precisamos conceituar o Espírito.

Enquanto a espiritualidade não for matematizável, ela não poderá ser cientificamente definida. Temos que retirar a espiritualidade do âmbito exclusivo da religião. Quem deve se ocupar disso, num primeiro momento, é a Filosofia. Enquanto a Teologia mantiver o falso direito de exclusividade sobre o Espírito, não chegaremos a resultados logicamente aceitáveis. Porque a Teologia se utiliza de dogmas para elaborar seus conceitos — e dogmas são totalmente inaceitáveis pela Ciência. A Ciência constrói seus postulados com base em evidências quantificáveis, mensuráveis, verificáveis. Mesmo quando a Ciência trabalha com hipóteses, estas devem ser pelo menos plausíveis. A Teologia aceita como verdade até mesmo aquilo que pertence ao campo da Feitiçaria. Já a Ciência requer comprovação empírica. E a Filosofia é que deve fazer a ponte para que o Espírito se desloque para o campo da Física. Sem isso, essa energia que eu suponho ser o Espírito vai continuar sob o domínio dos comerciantes de religião, dos pajés e dos pastores — geralmente não muito comprometidos com a verdade. O que será péssimo para o futuro da Humanidade.

Mas depois eu volto para expandir um pouco mais essa ideia inicial.


Quem sonha comigo vive em meu sonho.


Eu não escrevo para qualquer um, eu escrevo pra você. Eu escrevo para gente que pensa e brilha como você. Gente que reflete. Por isso é que meus textos são breves, puros, refinados, provocantes. Desenhados com doçura, demoro a escrevê-los. Tem dias que eu demoro duas horas para escrever uma frase. Mas tem dias que eu preciso me cegar para te abrir os olhos. Porque você passa o tempo todo em busca de uma coisa inexistente. Você quer segurança, estabilidade e certezas absolutas... Parece que você não sabe que isso é impossível. E parece que você vai continuar procurando quimeras: o homem da tua vida, a mulher da tua vida, o emprego ideal definitivo, o projeto infalível, um amor eterno, o filho perfeito, um milagre exclusivo. Essas coisas não existem. Mas você, ingenuamente, continua desperdiçando energias vitais nessa busca inglória. As coisas vivem dançando. O mundo é um bailarino.


Se os amores fossem eternos, eu não teria nenhum. Ou só um — aquele primeiro — que já morreu...


Casar-se burramente, por impulso, por paixão — é até aceitável. Acontece. Mas, separar-se, tem que ser de modo inteligente. Tem que ser algo bem planejado. A decisão tem que ser racional. Separar-se por impulso, por paixão, é uma burrice duplamente acumulada. Portanto, pense muito bem antes de separar-se. Se você não ama suficientemente a liberdade, nem suporta a solidão, fique onde está. E se não for independente — cale-se, simplesmente. Aceite a coleira, a focinheira e as algemas. É preciso tomar providências antes de abrir as asinhas. Ser livre não é para qualquer um. Ser livre é coisa séria.


Entre gostosura e perfeição, escolho sempre a gostosura.


Eu sei que o que proponho é algo ideal. Eu sei que nem tudo são flores e estrelas na vida das pessoas. Nem todos conseguem livrar-se dos apegos, dos medos e dos preconceitos. Nem todos conseguem livrar-se da pressa e da opressão. Nem todos conseguem mudar valores errados que herdaram. Inteligência emocional é coisa rara. Nem todos podem sonhar, brilhar e dançar. A liberdade não se compra por quilo. Nem todos têm a chance de preparar-se, de refinar-se como se deve. O sistema acaba atropelando quase todos. O tempo é escasso. Eu compreendo. Saltar profundo não é pra todo mundo.

Entretanto, o fato de ser ideal o que proponho — isso não torna condenável a minha filosofia de vida. Ao contrário, minha filosofia é uma porta poeticamente escancarada para o Céu — desde que se entenda essa palavra como a metáfora mais perfeita da própria Felicidade. Portanto, continuarei defendendo-a, de todas as formas amáveis possíveis. Para sempre.


Pássaros livres não cantam quando chove.


O desapego é a mais pura forma de amor. Essa minha frase é apenas um resumo do que me disseram dois grandes mestres: Sidarta, o criador do Budismo, e Jesus, aquele que fez o Sermão da Montanha. Eles sussurram todo dia essas coisas para mim. Ambos pregavam exatamente isso: o desapego. Sei que é difícil desapegar-se. Demora muito. Mas, mesmo assim, é preciso ir além. É preciso que nos tornemos não só desapegados, como também desnecessários. Ou seja, é preciso permitir que o outro também de nós se desapegue. Libertar-se — e permitir que o outro também se liberte. Todas as grandes religiões e filosofias orientais pregam exatamente isso. Mas, nós, aqui no Ocidente, apressados e materialistas, ainda estamos longe disso. Ainda somos muito pesados. É uma pena...


Aceitar o inevitável é uma decisão inevitável.


UMA ILHA DESERTA E GREGA
Ainda vou reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e ainda encontrarei, convidá-los a subir num barco, um barco enorme — um navio, um transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando em todas as línguas, amando de todas as formas, bebendo de todos os vinhos, rezando a todos os deuses... A vida seria uma festa maior ainda. Viveríamos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando. E transando com a própria Vida, todo dia — o dia todo.


Só não quero que Deus morra antes de mim.


Eu só falo de Amor e Liberdade. Até o fim dos meus dias eu vou falar de Amor e Liberdade. Por isso meu verbo não se admira: só causa espanto. Acontece que escrevo para loucos brilhantes e livres de espírito. Porque aqueles cujos espíritos são meio escravos ou cujas loucuras não brilham tanto — talvez não gostem do que eu digo. E nem devem mesmo gostar. Minha literatura é feita de excessos. Tem cadência, alegria e pulsação... Como já disse, eu falo de Amor e Liberdade — e sei como se ama. Aprendi o que é o Amor. Mas não pretendo ensinar nada disso a ninguém. (...) Não busco aprovação alheia, nem quero aplausos. Só quero provocar intelectualmente as pessoas criativas, como suponho você é. No fundo, eu quero apenas questionar todas as verdades, esmagar todas as convicções — inclusive as tuas, mas especialmente as minhas.





MINHA ALEGRIA É INVULNERÁVEL

Quando alguém expressa um pensamento com o qual eu não concordo — sobre mim ou sobre a vida, sobre amor ou religião, sobre a Dilma ou futebol — não me sinto nem um pouco ofendido. Afinal, são milhares de pessoas pensando e emitindo opiniões a respeito dos mais variados assuntos. (...) Portanto, seria insensato estressar-me a partir dessas alheias conclusões. Respeito quase todas as opiniões, mas deixo-as onde estão, pois seria um absurdo condicionar o meu humor e a minha felicidade a esses múltiplos estímulos. Minha alegria é invulnerável. Sofismas não me atingem. Cada um de nós é um ser único. O que é bom para o outro pode ser péssimo para mim — e vice-versa. Cada um de nós pensa com seu próprio sistema nervoso. Suponho. E sugiro que você encare as críticas também da mesma forma.


Meu corpo tem vários espíritos — e todos dançam entre si.


Quando — a duras penas — o burro aprende a raciocinar um pouco, ele não fica de modo algum inteligente. Ele apenas se torna capaz de cometer burrices um pouco mais elaboradas — e em maiores proporções. A essência da coisa não muda muito. Infelizmente.


O mundo viraria um caos se a versão mudasse o fato.


Desmandamentos
1. Ame a Vida sobre todas as coisas.
2. Não obedeça a ordens — exceto àquelas que venham do teu próprio coração.
3. A felicidade está dentro de você. Não a procure em nenhum outro lugar.
4. O amor livre é a mais religiosa das orações.
5. O desapego é a única porta para o Céu.
6. A vida só existe aqui e agora.
7. Não corra: dance.
8. Viva acordado — em todos os sentidos.
9. Pare de buscar: o que é teu já te pertence.
10. Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.


Bem-aventurados os felizes, porque deles é o Reino de Deus.


Neste nosso Universo, tudo se resume a uma troca de energias. Desde uma paixão adolescente até à bomba atômica, tudo é troca de energia. Desde o ferver da água para um café da manhã, ao ato de acionar a tecla de um notebook; desde a lembrança amorosa que agora tenho da minha Mãe até uma viagem a Júpiter, passando pela conversa deliciosa entre dois bem-te-vis e o florescer de um lírio branco — tudo é troca de energia. Logo, com o apoio do filósofo que ora em mim, e concluindo numa expressão metafórica e poética — Deus é energia. Do meu atual ponto de vista, Deus é (também) a soma de todas essas energias dançantes que constituem o Universo. Embora algumas delas sejam vitais e outras, mortais — é a vida!


Quem não tem ou nunca teve amores livres — ainda não sabe o que é o Amor.


Teoria do Acaso é um livro que estou escrevendo desde 1998, onde expresso meus pontos de vista sobre as causas imediatas e remotas de todos os acontecimentos num dado universo de observação. Que pode ser uma relação de amor, um emprego no subúrbio, uma viagem curta inesperada, a criação de uma galáxia, um cisco no olho, ou uma história de vida. Na minha concepção — fundada em duas décadas de estudos filosóficos — tudo acontece por acaso. Tomo como exemplo a forma como eu nasci, o modo como meu pai conheceu a minha mãe, o jeito romântico como meu louco bisavô Luiz Marques "sequestrou" minha bisavó Vitalina — e assim por diante. Sem o que veio antes não viria o que veio depois. Sem o cisco no olho do meu bisavô ele não teria ido à cidade naquela tarde de domingo, e jamais teria conhecido a moreninha vestida de chita, sentadinha num banco de pedra da estação rodoviária. Por mais que me digam que dez anos depois ele a teria encontrado de novo em outro lugar, não creio que a loucura dele fosse ainda a mesma. Nem a coragem. Nem o entusiasmo. E eu certamente não estaria aqui, hoje, te contando essas coisas. Simplesmente porque, se não fosse a loucura gloriosa do meu bisavô, eu não teria sequer existido. Esse é o tema principal do meu livro.